A VIOLÊNCIA ECONÔMICA CONTRA MULHER E O TRATAMENTO CONFERIDO PELA LEGISLAÇÃO PENAL BRASILEIRA
DOI:
https://doi.org/10.61164/yd8q0921Palabras clave:
violência econômica, Lei Maria da Penha, autonomia da mulher, desigualdade de gênero, Violência patrimonialResumen
O presente artigo tem como finalidade examinar a violência patrimonial contra a mulher, uma modalidade de agressão prevista na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que ainda demanda reconhecimento e efetividade na prática jurídica. Diferentemente das manifestações de violência física e sexual, cujos efeitos são mais evidentes e facilmente comprováveis, a violência patrimonial se expressa de maneira sutil, por meio da retenção, destruição ou apropriação de bens, recursos financeiros, documentos e instrumentos de trabalho da vítima. Tal prática compromete diretamente sua autonomia financeira, emocional e social, perpetuando relações de dependência e desigualdade de gênero. O estudo demonstra que, embora exista previsão legal, a falta de um tipo penal específico e a dificuldade probatória dificultam a responsabilização do agressor, resultando na invisibilidade dessa forma de violência nos tribunais. Além disso, enfatiza-se que os impactos transcendem a esfera individual, atingindo dimensões coletivas, como a exclusão das mulheres do mercado de trabalho, a diminuição da produtividade e prejuízos econômicos para o país. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica, análise normativa e jurisprudencial, abordando como a violência patrimonial se relaciona a processos históricos de dominação econômica e social. Conclui-se que o enfrentamento dessa forma de violência requer uma atuação mais crítica e empática do sistema de justiça, acompanhada de políticas públicas que garantam a dignidade, a autonomia e a efetiva proteção das mulheres.
Descargas
Referencias
BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1949.
BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 8 ago. 2006.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. São Paulo: Editora Civilização Brasileira, 1990.
CUNHA, Maria José. Violência de gênero: entre a lei e a realidade. 2. ed. São Paulo: Editora Húmus, 2021.
DELGADO, Mário Luiz. Violência patrimonial contra a mulher: “A invisibilidade dessa forma de violência continua”, diz jurista. IBDFAM, 2018.
DIAS, Maria Berenice. Violência doméstica: a nova Lei Maria da Penha. 10. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2021.
FARIA, Juliana. Violência financeira contra a mulher: contra o abuso e a fraude sentimental. Jusbrasil, 2014. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/violencia-financeira-contra-a-mulher/185052246. Acesso em: 12 mai. 2025.
FEDERICI, Silvia. O Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. Tradução de Coletivo Sycorax. São Paulo: Elefante, 2017.
FIEMG. Mulheres e mercado de trabalho: impactos da violência doméstica. Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, 2023. Disponível em: https://www.fiemg.com.br. Acesso em: 12 mai. 2025.
FIEMG. Pesquisa dos impactos econômicos da violência contra a mulher. Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, 2020. Disponível em: https://www.fiemg.com.br. Acesso em: 12 maio 2025.
FREITAS, Wagner Cinelli de Paula. Violência patrimonial: a opressão escondida. Consultor Jurídico, 11 out. 2021. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2021-out-11/wagner-cinelli-violencia-patrimonial-opressao-escondida. Acesso em: 12 mai. 2025.
HOOKS, bell. Feminismo é para todo mundo: políticas de amor. São Paulo: Editora Rosa dos Tempos, 2000.
IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua: segundo trimestre de 2024. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2024. Disponível em: https://www.ibge.gov.br. Acesso em: 12 mai. 2025.
LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1977.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. Violência e saúde. 2. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2016.
ONU MULHERES. Violência patrimonial e econômica contra as mulheres: guia de enfrentamento. Brasília: ONU Mulheres Brasil, 2020.
PEREIRA, P. Violência doméstica. In: Nota Positiva, 2005.
SANTOS, Fabiano Rabaneda dos. O uso do certificado digital e a violência patrimonial contra as mulheres: desafios e estratégias de enfrentamento e proteção às vulnerabilidades. Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), 2024. Disponível em: https://ibdfam.org.br/noticias/11776/javascript. Acesso em: 12 maio 2025.
SILVA, Daniele da; SILVA, Renata Limongi França Coelho. Violência contra as mulheres nos relacionamentos conjugais e a dependência emocional: fator que influencia a permanência na relação. Humanidades & Tecnologia (FINOM), v. 20, n. 1, p. 328–340, 2020.
TAVARES, Sônia Maria Ferreira et al. A violência psicológica contra a mulher: um estudo de caso. Revista de Psicologia, v. 18, n. 3, p. 31-47, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/psicologia/a/2tmCrTNRRHk7ZfhL58P8VQR/?lang=pt. Acesso em: 12 mai. 2025.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO. Não cabe medida protetiva em caso de disputa patrimonial, diz TJ-SP. Consultor Jurídico, 27 out. 2024. Disponível em: [ConJur]. Acesso em: 15 jun. 2025.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO SUL. Conflito de Jurisdição nº 70077745115. Porto Alegre, 06 jun. 2018. Ementa: “...não basta, para que haja a incidência da Lei nº 11.340/2006, que o fato envolva violência doméstica ou familiar contra mulher. Necessita-se, também, que a ação ou omissão ... circunstâncias que não demonstram a vulnerabilidade da vítima a justificar a incidência da Lei Maria da Penha.” Agência CNJ de Notícias. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/violencia-patrimonial-a-face-pouco-conhecida-da-violencia-domestica/. Acesso em: 15 jun. 2025.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2025 Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-CompartirIgual 4.0.
Authors who publish in this journal agree to the following terms:
Authors retain copyright and grant the journal the right of first publication, with the work simultaneously licensed under the Creative Commons Attribution License, which permits the sharing of the work with proper acknowledgment of authorship and initial publication in this journal;
Authors are authorized to enter into separate, additional agreements for the non-exclusive distribution of the version of the work published in this journal (e.g., posting in an institutional repository or publishing it as a book chapter), provided that authorship and initial publication in this journal are properly acknowledged, and that the work is adapted to the template of the respective repository;
Authors are permitted and encouraged to post and distribute their work online (e.g., in institutional repositories or on their personal websites) at any point before or during the editorial process, as this may lead to productive exchanges and increase the impact and citation of the published work (see The Effect of Open Access);
Authors are responsible for correctly providing their personal information, including name, keywords, abstracts, and other relevant data, thereby defining how they wish to be cited. The journal’s editorial board is not responsible for any errors or inconsistencies in these records.
PRIVACY POLICY
The names and email addresses provided to this journal will be used exclusively for the purposes of this publication and will not be made available for any other purpose or to third parties.
Note: All content of the work is the sole responsibility of the author and the advisor.
