ACESSO E PERMANÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR: UM ESTUDO SOBRE AS BARREIRAS ENFRENTADAS PELA JUVENTUDE NEGRA RURAL
DOI:
https://doi.org/10.61164/7y914g74Palabras clave:
Acesso à Educação; Juventude Negra Rural; Desigualdade Educacional; Racismo Estrutural; Políticas Públicas.Resumen
O acesso e a permanência no ensino superior representam desafios significativos para a juventude negra rural no Brasil, sendo impactados por barreiras históricas, estruturais e sociais. O objetivo deste artigo é expor os desafios enfrentados por estudantes negros, de baixa renda e moradores de zonas rurais em sua trajetória de acesso à educação superior, destacando os limites gerados por fatores históricos e estruturais. A questão de pesquisa que norteia o estudo é: quais são os principais desafios históricos, estruturais e sociais que a juventude negra rural enfrenta no acesso e na permanência no ensino superior no Brasil?. O argumento central é que os obstáculos enfrentados por essa população não são fatos isolados, mas o resultado de um racismo estrutural consolidado, intensificado pela negligência de políticas públicas voltadas às especificidades do campo. A metodologia baseia-se em uma abordagem qualitativa, com recurso à revisão bibliográfica. Os resultados indicam que a exclusão educacional possui, em sua base, desigualdades raciais manifestadas na ausência de estruturas dignas, como transporte, infraestrutura escolar e currículo contextualizado. A pesquisa bibliográfica revelou que dificuldades de mobilidade, longas distâncias, precariedade do transporte e infraestrutura escolar degradada são barreiras recorrentes. Conclui-se que, apesar dos avanços em políticas afirmativas, a maioria da juventude negra rural permanece em condições desfavoráveis, tornando necessária a criação e efetivação de políticas que atendam às suas demandas específicas para a democratização do acesso ao ensino superior.
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