RUÍNAS DO CASSINA: MULHERES, MEMÓRIA E MARGINALIDADE
DOI:
https://doi.org/10.61164/zdk9pc89Palavras-chave:
Amazônia urbana; Corpo feminino; Memória; Prostituição; Ruínas.Resumo
A pesquisa investiga as ruínas do antigo Hotel Cassina, em Manaus, como representação simbólica das transformações sociais da Amazônia urbana, articulando memória, corpo e território. Analisa-se a passagem do edifício, outrora ícone de luxo da Belle Époque, à condição de cabaré popular, para compreender como esse espaço expressa a tensão entre esplendor e exclusão, revelando as mulheres marginalizadas como sujeitos formadores da cidade. A metodologia adota uma abordagem histórico-literária, sustentada na análise documental e interpretativa de fontes urbanas, literárias e memoriais, tratando o Cassina como um palimpsesto de narrativas. O estudo situa o espaço como metáfora viva da modernidade amazônica, em que o poder simbólico e as práticas sociais se entrecruzam na formação de identidades. As ruínas, nesse contexto, não são apenas vestígios de decadência, mas lugares de resistência, onde o corpo feminino se inscreve como arquivo político e pedagógico da cidade. Conclui-se, preliminarmente, que o Cassina ultrapassa o estatuto arquitetônico e se converte em território de reexistência, em que a memória coletiva emerge como força de reconstrução simbólica e histórica, projetando novas leituras sobre a Amazônia e seus espaços de marginalidade.
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