A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DE MARÍLIO DA CONCEIÇÃO EM OURO DENTRO DA CABEÇA, DE MARIA VALÉRIA REZENDE: DE “COISA-NENHUMA” A UM NOME CONSOLIDADO
DOI:
https://doi.org/10.61164/kvjnqm72Palavras-chave:
“Coisa-Nenhuma”, Marílio da Conceição, Identidade , Representações Sociais, Maria Valéria RezendeResumo
Este artigo faz uma análise do processo de construção de identidade do personagem “Coisa-Nenhuma” até conseguir consolidar o seu nome e sobrenome como Marílio da Conceição em Ouro Dentro da Cabeça, de Maria Valéria Rezende. A narrativa Ouro Dentro da Cabeça carrega a trajetória de um menino órfão, nascido no Quilombo Furna dos Crioulos, que cresceu sem nome e recebeu muitos apelidos. Cercado por ausências, o garoto inicia uma busca por reconhecimento, pertencimento e se realiza com a alfabetização. O estudo discute como os contextos sociais em que um sujeito está inserido podem influenciar na formação e na construção de sua identidade e como as vivências do personagem “Coisa-Nenhuma” moldaram sua compreensão de si até se tornar Marílio da Conceição. A metodologia tem a abordagem qualitativa, sendo de natureza bibliográfica, por meio da análise da narrativa Ouro Dentro da Cabeça de Maria Valéria Rezende e fundamentando-se nos autores Arnaldo José Pedrosa Gomes e Lilia Iêda Chaves Cavalcante, Stuart Hall, Carlos Rodrigues Brandão, José de Souza Martins, Erik H. Erikson e Denise Jodelet, que abordam temas como orfandade, identidade e representações sociais. A análise apresenta que o conhecimento e a alfabetização são fundamentais e desempenham o papel central no processo para a construção da identidade do personagem Marílio da Conceição. A relevância da pesquisa está na compreensão de como ocorre a construção da identidade do personagem por meio da representação social, dos desafios enfrentados e por meio da sua busca por pertencimento na sociedade. Dessa forma, em sua narrativa, Maria Valéria Rezende destaca por meio da trajetória do protagonista, a importância de se ter um nome e sobrenome registrado, como também a relevância do acesso ao conhecimento e das vivências sociais na constituição da identidade.
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