SAÚDE MENTAL DOS PROFESSORES E VIOLÊNCIA ESCOLAR
DOI:
https://doi.org/10.61164/bb8vgr42Keywords:
Saúde mental; Professores; Violência escolar; Burnout; Políticas educacionais.Abstract
O presente estudo investigou a relação entre a violência escolar e a saúde mental dos professores, tema de crescente relevância nas discussões educacionais e de saúde pública. Partiu-se do pressuposto de que a intensificação das demandas laborais e as situações de violência no ambiente escolar comprometem significativamente o bem-estar docente, com repercussões diretas no exercício profissional e na qualidade da educação. Para tanto, foi adotada uma abordagem mista, integrando métodos quantitativos e qualitativos. Os dados foram coletados por meio de questionários estruturados, aplicados a 103 professores de diferentes contextos educacionais, de forma voluntária e anônima. A análise quantitativa identificou padrões e correlações entre episódios de violência e indicadores de estresse, ansiedade e desgaste emocional, enquanto a análise qualitativa de literatura especializada possibilitou a contextualização dos achados. Os resultados revelam um cenário preocupante, 83,5% dos docentes relataram já ter sofrido ou presenciado algum tipo de violência escolar, sendo a agressão verbal a mais recorrente (80%). Ademais, 48,5% declararam sentir-se frequentemente sobrecarregados e 37,9% afirmaram vivenciar sobrecarga de modo permanente, evidenciando um quadro compatível com a síndrome de burnout. Entre os principais fatores de adoecimento, destacam-se excesso de burocracia, indisciplina em sala de aula e pressão por resultados. A pesquisa também constatou a insuficiência de apoio institucional, uma vez que 84,5% dos professores nunca receberam suporte voltado à saúde mental, e metade dos que receberam consideraram-no ineficaz. Conclui-se que a violência escolar impacta profundamente a saúde mental dos docentes, fragilizando sua motivação e permanência na profissão. Entretanto, medidas como a valorização profissional, a presença de equipes multidisciplinares e o fortalecimento do vínculo escola-família surgem como caminhos possíveis para promover o bem-estar docente e mitigar os efeitos da violência no ambiente escolar.
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