VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E EFETIVIDADE DA TUTELA JURÍDICA NO BRASIL: ANÁLISE DA LEI MARIA DA PENHA, DO FEMINICÍDIO E DA VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA
DOI:
https://doi.org/10.66104/582gz635Keywords:
violência contra a mulher; Lei Maria da Penha; feminicídio; violência psicológica; efetividade jurídica.Abstract
A violência contra a mulher constitui uma das mais graves violações de direitos humanos, manifestando-se de forma estrutural nas relações sociais contemporâneas. No Brasil, esse fenômeno está diretamente associado a padrões históricos de desigualdade de gênero, que contribuem para a reprodução de práticas discriminatórias e violentas.
O presente artigo analisa a efetividade da tutela jurídica no enfrentamento da violência de gênero, com ênfase na Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), na tipificação do feminicídio pela Lei nº 13.104/2015 e na criminalização da violência psicológica pela Lei nº 14.188/2021. Parte-se da hipótese de que, embora o ordenamento jurídico brasileiro seja formalmente avançado, sua aplicação prática ainda enfrenta limitações decorrentes de fatores institucionais, culturais e socioeconômicos. A metodologia adotada é qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, baseada na análise de legislação, doutrina e relatórios oficiais, como o Atlas da Violência e o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Conclui-se que, apesar dos avanços normativos, persistem desafios relacionados à efetividade das medidas protetivas, à subnotificação dos casos e à insuficiência de políticas públicas integradas, exigindo fortalecimento institucional e mudanças socioculturais.
Downloads
References
BARROSO, Luís Roberto. O novo direito constitucional brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2022.
BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 31 dez. 1940.
BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 8 ago. 2006.
BRASIL. Lei nº 13.104, de 9 de março de 2015. Altera o Código Penal para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do homicídio. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 10 mar. 2015.
BRASIL. Lei nº 14.188, de 28 de julho de 2021. Define o programa Sinal Vermelho contra a violência doméstica e familiar contra a mulher e tipifica a violência psicológica. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 29 jul. 2021.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.
CAMPOS, Carmen Hein de. Lei Maria da Penha comentada em uma perspectiva jurídico-feminista. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011.
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2023.
DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça. 7. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2021.
FARAH, Marta Ferreira Santos. Gênero e políticas públicas. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 12, n. 1, 2004. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2004000100004
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023. São Paulo: FBSP, 2023.
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ). Drogas, saúde pública e política criminal no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2022.
GOMES, Luiz Flávio; BIANCHINI, Alice. Feminicídio: comentários à Lei nº 13.104/2015. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015.
GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: parte especial. 19. ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2022.
IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Atlas da Violência 2023. Brasília: IPEA, 2023.
MELLO, Adriana Ramos de. Violência doméstica e familiar contra a mulher: comentários à Lei Maria da Penha. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2020.
NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal comentado. 23. ed. São Paulo: Forense, 2023.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Convention on the Elimination of All Forms of Discrimination Against Women (CEDAW). New York: United Nations, 1979.
ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS. Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará). Belém do Pará, 1994.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Violence against women prevalence estimates. Geneva: WHO, 2021.
PASINATO, Wânia. Femicídios e as mortes de mulheres no Brasil. Cadernos Pagu, Campinas, n. 37, 2011. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-83332011000200008
PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito constitucional internacional. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2022.
RODRIGUES, Thiago Fabres de Carvalho. Política criminal e drogas: entre o proibicionismo e os direitos humanos. 3. ed. Belo Horizonte: D’Plácido, 2022.
SAFFIOTI, Heleieth I. B. Gênero, patriarcado e violência. São Paulo: Expressão Popular, 2015.
SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2021.
SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, 1995.
WACQUANT, Loïc. As prisões da miséria. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
ZAFFARONI, Eugenio Raúl; PIERANGELI, José Henrique. Manual de Direito Penal Brasileiro: parte geral. 14. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2022.
Downloads
Published
Issue
Section
License
Copyright (c) 2026 Handa Juliana Nascimento Traven, Jefferson Fabiano Oliveira Guimarães, Paulo Eduardo Queiroz Da Costa

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Authors who publish in this journal agree to the following terms:
Authors retain copyright and grant the journal the right of first publication, with the work simultaneously licensed under the Creative Commons Attribution License, which permits the sharing of the work with proper acknowledgment of authorship and initial publication in this journal;
Authors are authorized to enter into separate, additional agreements for the non-exclusive distribution of the version of the work published in this journal (e.g., posting in an institutional repository or publishing it as a book chapter), provided that authorship and initial publication in this journal are properly acknowledged, and that the work is adapted to the template of the respective repository;
Authors are permitted and encouraged to post and distribute their work online (e.g., in institutional repositories or on their personal websites) at any point before or during the editorial process, as this may lead to productive exchanges and increase the impact and citation of the published work (see The Effect of Open Access);
Authors are responsible for correctly providing their personal information, including name, keywords, abstracts, and other relevant data, thereby defining how they wish to be cited. The journal’s editorial board is not responsible for any errors or inconsistencies in these records.
PRIVACY POLICY
The names and email addresses provided to this journal will be used exclusively for the purposes of this publication and will not be made available for any other purpose or to third parties.
Note: All content of the work is the sole responsibility of the author and the advisor.
