VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS CASOS E ÓBITOS NOTIFICADOS NA BAIXADA MARANHENSE, 2018-2022
DOI:
https://doi.org/10.61164/xmsz1606Palabras clave:
Violência contra a Mulher, Sistemas de Informação em Saúde, Epidemiologia, Mortalidade, Saúde PúblicaResumen
Objetivou-se caracterizar o perfil epidemiológico dos casos e óbitos por violência contra a mulher notificados na Baixada Maranhense, Brasil, no período de 2018 a 2022. Estudo descritivo e quantitativo. Utilizaram-se dados de mulheres vítimas de violência notificados na Baixada Maranhense, no período de 2018 a 2022, obtidos a partir das bases de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação e do Sistema de Informação sobre Mortalidade. As variáveis investigadas foram: faixa etária, raça, escolaridade, estado civil, vínculo com o agressor, suspeita de uso de álcool, local de ocorrência, recorrência, tipo de violência e meio de agressão. Identificou-se 725 casos e 43 óbitos por violência contra a mulher. A maioria das mulheres era de raça parda (77,0%), idade entre 10 a 19 anos (72,1%) e até 8 anos de estudo (44,8%). A violência sexual foi a mais prevalente (66,1%) e recorrente (60,7%), com uso de força física/espancamento como meio de agressão mais utilizado (13,4%), domiciliar (79,3%), perpetrada pelo namorado da vítima (33,1%), sem suspeita de uso de álcool (71,9%). Quanto aos óbitos, predominaram mulheres de raça parda (76,8%), idade entre 30 a 39 anos (30,2%), solteiras (44,2%) com até 11 anos de estudo (41,9%). A maioria dos óbitos ocorreu nos hospitais (34,9%), sendo o uso de objetos cortantes/penetrantes (30,2%) o meio de agressão mais frequente. Os resultados enfatizam a necessidade de fortalecimento de ações intersetoriais visando ampliar a rede de atenção e proteção às vítimas.
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