DA TEORIA À PRÁTICA: MODELOS DE SUPERVISÃO COLABORATIVA PARA UMA EDUCAÇÃO CLIMÁTICA TRANSFORMADORA EM NAMPULA
DOI:
https://doi.org/10.66104/vtxb9m10Palavras-chave:
Supervisão Pedagógica Colaborativa, Educação Climática Transformador, Interdisciplinaridade, Investigação-Ação.Resumo
As mudanças climáticas representam, na perspectiva de vários estudiosos, o “desafio determinante do nosso tempo” (Carvalho, 2018, p. 15), demandando dos sistemas de ensino uma resposta pedagógica urgente e transformadora. Em Moçambique, país caracterizado por uma elevada vulnerabilidade a fenómenos climáticos extremos como ciclones e secas, a integração da educação climática nos currículos escolares mostra-se uma necessidade imperiosa. Contudo, esta integração esbarra frequentemente em estruturas de ensino tradicionais e fragmentadas, que dificultam uma abordagem transversal e contextualizada. Como adverte Lima (2019), a organização escolar permanece muito apegada a modelos hierárquicos, que deixam pouco espaço para a inovação.
Neste cenário, a supervisão pedagógica surge como um eixo central para a qualificação da prática docente. Tradicionalmente vinculada a um paradigma de controlo e avaliação vertical, é crucial que a supervisão evolua para modelos colaborativos e participativos. Estes novos modelos, sustentados por autores como Formosinho (2019) e Lopes e Silva (2021), privilegiam a cocriação, o diálogo entre pares e a inclusão de diversos actores – incluindo os próprios estudantes – nos processos de planeamento e reflexão pedagógica. A supervisão colaborativa configura-se, assim, não como um mero instrumento formativo, mas como uma estratégia para “fomentar práticas educativas significativas” (Roldão, 2021, p. 34) perante a complexidade da crise climática.
Este artigo propõe analisar e discutir a implementação de um modelo teórico-prático de supervisão colaborativa, contextualizado para a Província de Nampula, em Moçambique. A discussão articula os fundamentos teóricos com exemplos concretos, analisando as potencialidades e os desafios de tal modelo para promover uma educação climática transformadora e orientada para a acção.
Os resultados obtidos validam o potencial transformador da articulação entre o modelo de supervisão colaborativa e a educação climática, confirmando a pertinência da proposta inicialmente avançada no quadro teórico. O processo de reflexão sistemática e coletiva implementado, na linha do defendido por Roldão (2021), demonstrou ser um mecanismo crucial para operacionalizar o conhecimento teórico, transformando-o em intervenções práticas e contextualizadas. Esta conversão mostrou-se vital para capacitar a comunidade educativa perante os intricados desafios climáticos que caraterizam o contexto de Nampula.
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Referências
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