ALIMENTAÇÃO ESCOLAR NO DISCURSO DE MANIPULADORAS DE ALIMENTOS DE ESCOLAS PÚBLICAS BRASILEIRAS
DOI:
https://doi.org/10.61164/rmnm.v8i1.3876Palabras clave:
alimentação escolar, pesquisa qualitativa, política de saúdeResumen
Esse estudo tem por objetivo apresentar narrativas proferidas por manipuladoras de alimentos sobre a alimentação escolar em municípios brasileiros. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa. Fizeram parte da pesquisa 57 manipuladoras de alimentos (merendeiras), de escolas públicas das capitais e municípios do interior, das cinco regiões geográficas do Brasil. Para levantamento das falas utilizou-se a entrevista individual, com o auxílio de questionário semiestruturado. Em cada escola participante da pesquisa foi sorteada uma merendeira para ser entrevistada. Para as análises utilizou-se a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Os principais aspectos proferidos nos discursos revelaram que, para as merendeiras, a alimentação escolar é “um complemento da alimentação de casa”, “contribui com o rendimento e aprendizagem do escolar”; é percebida também como “um direito do aluno”, e “uma forma de educação e incentivo para a alimentação adequada e saudável”. O estudo concluiu que para as manipuladoras, a alimentação servida na escola está além da dimensão nutricional e biológica. Tais compreensões coadunam para o reconhecimento dessas profissionais para além de suas multitarefas técnicas, uma vez que percebem a alimentação escolar como elemento de efetivação e manutenção de direitos, e como prática fundamental para a educação e aprendizagem.
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