RELAÇÃO ORIENTADOR–ORIENTANDO NA PÓS-GRADUAÇÃO: IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE MENTAL
DOI:
https://doi.org/10.61164/qemad524Palabras clave:
orientador; orientando; saúde mental; pós-graduaçãoResumen
A pós-graduação constitui uma etapa fundamental da formação acadêmica, voltada principalmente à formação de pesquisadores. A literatura tem documentado elevada prevalência de problemas de saúde mental entre estudantes de pós-graduação, frequentemente associados a múltiplos fatores estressores, entre os quais se destaca a relação orientador–orientando. Diante desse contexto, este estudo teve como objetivo analisar a associação entre a qualidade da relação orientador–orientando e indicadores de saúde mental, incluindo a realização de tratamento para melhora da saúde mental, em estudantes de pós-graduação stricto sensu. Trata-se de um estudo quantitativo, analítico e transversal, realizado em duas universidades públicas brasileiras. A amostra foi composta por 588 estudantes de mestrado e doutorado acadêmicos. Os dados foram coletados de forma on-line e presencial, por meio de um Questionário Sociodemográfico Estruturado contendo 26 questões relativas às características sociodemográficas, acadêmicas e aspectos relacionados à saúde mental. As análises incluíram estatísticas descritivas e testes inferenciais para associação entre variáveis categóricas, com utilização do Teste Exato de Fisher. Os resultados indicaram que 51,4% dos participantes relataram realizar algum tipo de tratamento para melhorar a saúde mental, sendo o acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico o mais frequente (49,3%). Entre os estudantes em tratamento, 31,1% informaram uso de medicação psicotrópica. Quanto à relação com o orientador, a maioria avaliou o vínculo como ótimo ou bom; contudo, uma parcela relatou relação regular, ruim ou inexistente. Observou-se associação estatisticamente significativa entre a qualidade da relação orientador–orientando e a realização de tratamento em saúde mental (p = 0,001). Estudantes que avaliaram a relação como problemática apresentaram aproximadamente três vezes mais chances de estar em tratamento (OR = 3,23; IC95%: 1,51–7,52). Os achados oferecem subsídios para o desenvolvimento de políticas institucionais voltadas à promoção da saúde mental e à qualificação das práticas de orientação acadêmica.
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