SAÚDE BUCAL NA ADOLESCÊNCIA: UMA ANÁLISE INTEGRADA E A PROPOSTA DA ODONTOHEBIATRIA
DOI:
https://doi.org/10.66104/shcc5b73Palabras clave:
adolescência , odontologiaResumen
A adolescência constitui uma fase singular do desenvolvimento humano, caracterizada por intensas transformações biológicas, psicossociais e comportamentais que impactam diretamente a saúde bucal. Trata-se de um período de elevada vulnerabilidade a agravos como cárie dentária, doenças periodontais iniciais e maloclusões, mas também de grande potencial para intervenções preventivas e educativas capazes de repercutir positivamente ao longo do curso da vida. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão narrativa da literatura, as particularidades da saúde bucal na adolescência, discutir a relevância do letramento em saúde bucal e refletir sobre a pertinência da criação e consolidação da Odontohebiatria como especialidade odontológica voltada ao cuidado integral do adolescente. A revisão narrativa foi conduzida a partir de buscas realizadas nas bases PubMed, Google Acadêmico, Biblioteca Virtual em Saúde e SciELO, período de 2015 a outubro de 2025, utilizando termos relacionados à saúde bucal do adolescente e à Odontohebiatria. Foram incluídos artigos originais que abordassem aspectos biológicos, comportamentais, psicossociais, educativos e clínicos da saúde bucal de adolescentes, totalizando 12 estudos selecionados após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão. Os resultados evidenciam que a saúde bucal do adolescente é fortemente influenciada por determinantes socioeconômicos, territoriais, familiares e psicológicos, bem como pelo nível de letramento em saúde bucal. Baixos níveis de letramento estão associados a maior prevalência de cárie, pior higiene bucal e menor utilização dos serviços odontológicos, enquanto intervenções educativas fundamentadas em teorias do comportamento demonstram eficácia na melhoria do conhecimento, da autoeficácia e dos hábitos preventivos. Apesar da robustez das evidências, a atenção odontológica a esse público ainda ocorre de forma fragmentada, diluída entre a odontopediatria e a odontologia do adulto jovem. Conclui-se que a consolidação da Odontohebiatria como especialidade odontológica é sustentada por evidências científicas e se apresenta como estratégia promissora para qualificar a atenção, fortalecer ações preventivas e educativas, reduzir desigualdades e promover o autocuidado crítico e autônomo entre adolescentes. A ausência do termo nos Descritores em Ciências da Saúde reforça a necessidade de avanços na organização do conhecimento e no reconhecimento institucional desse campo de atuação.
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