USO INDISCRIMINADO DE MOUNJARO E CIRCULAÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM DUVIDOSA COMO EXPRESSÃO DE CRISE SANITÁRIA NA SAÚDE COLETIVA

Autores/as

  • Lucas Andrade Menezes União das Faculdades dos Grandes Lagos
  • Helena dos Santos Reis Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR)
  • Marta Alencar Alves de Souza Universidade Batista de Minas Gerais- FBMG
  • Karmem Mirella Hanorata Cabral da Silva Faculdade Cathedral
  • Caroline Maria Rodrigues Silva In laser Cursos
  • Fabiane de Jesus Monteiro Teixeira Universidade Federal do Pará-UFPA
  • Thaís Silva dos Reis Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Riviane Larissa Santos Carvalho Cardozo Faculdade de Sete Lagoas-MG
  • Maria Nazaré Lopes Baracho Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)
  • Valquiria Kopke dos Santos Universidade Federal Fluminense
  • Ahirlan Silva de Castro Universidade Federal do Maranhão - UFMA

DOI:

https://doi.org/10.66104/qc09as49

Palabras clave:

Automedicação; Obesidade; Saúde Pública; Uso de Medicamentos; Vigilância Sanitária.

Resumen

O crescimento da obesidade em escala global tem impulsionado a incorporação de novas terapias farmacológicas, entre elas a tirzepatida, comercializada como Mounjaro, cuja elevada eficácia metabólica contribuiu para sua rápida difusão no cenário clínico e social. No entanto, a ampliação de seu uso para além das indicações aprovadas, associada à circulação de produtos de origem duvidosa, tem evidenciado um problema que transcende o âmbito individual e assume relevância no campo da saúde coletiva. Este estudo teve como analisar o uso indiscriminado do Mounjaro e a circulação de produtos de origem duvidosa como expressão de crise sanitária na saúde coletiva.Trata-se de uma revisão narrativa de abordagem qualitativa, realizada nas bases PubMed, SciELO e BVS, utilizando descritores DeCS relacionados ao tema, com inclusão de estudos publicados entre 2020 e 2026, além de documentos regulatórios recentes. Os achados indicam que a popularização do medicamento está diretamente relacionada à influência de mídias digitais, à valorização estética e à flexibilização da percepção de risco, favorecendo práticas de automedicação e consumo sem acompanhamento profissional. Paralelamente, a expansão de mercados informais tem intensificado a circulação de produtos sem garantia de qualidade, segurança e eficácia, ampliando o risco de eventos adversos e fraudes sanitárias. Observa-se, ainda, que esse cenário compromete a integralidade do cuidado e impõe desafios à vigilância sanitária, à farmacovigilância e às políticas públicas de uso racional de medicamentos. Conclui-se que o fenômeno analisado revela fragilidades nos mecanismos de regulação e na mediação entre inovação terapêutica e proteção coletiva, exigindo estratégias integradas de controle, educação em saúde e fortalecimento institucional para mitigar os impactos dessa problemática.

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WHO, World Health Organization. Obesity and overweight. 8 Dec. 2025-

Publicado

2026-04-15

Cómo citar

USO INDISCRIMINADO DE MOUNJARO E CIRCULAÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM DUVIDOSA COMO EXPRESSÃO DE CRISE SANITÁRIA NA SAÚDE COLETIVA. (2026). REMUNOM, 13(06), 1-20. https://doi.org/10.66104/qc09as49