A EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICA COMO VETOR DE GOVERNANÇA E TRANSFORMAÇÃO ESG NO AMBIENTE CORPORATIVO
DOI:
https://doi.org/10.66104/z8tftk53Palabras clave:
Compliance ético, Sustentabilidade sistêmica, Responsabilidade integral, Cultura organizacional, ISO 14001Resumen
O presente ensaio argumentativo analisa de que modo a Educação Ambiental Crítica (EAC) pode atuar como vetor estratégico de governança e transformação ESG no ambiente corporativo, superando o mero cumprimento normativo e promovendo uma cultura organizacional ética e transformadora. O problema investigado consiste em como a abordagem da EAC pode fortalecer a cultura organizacional para além da obediência a regras, atuando como motor de desempenho institucional. O objetivo geral é discutir a relevância da EAC como ferramenta de governança, detalhando sua interface com o compliance ambiental, a sustentabilidade sistêmica e os frameworks ESG. O percurso metodológico caracteriza-se como ensaio argumentativo qualitativo, com revisão bibliográfica e documental realizada nas bases SciELO, Web of Science, Periódicos CAPES, Google Acadêmico, Scopus e BDTD, no período de abril a novembro de 2025, orientada por quatro eixos problematizadores: limites da EA instrumental, condições de internalização ética, tensões entre discurso e prática ESG e riscos de captura reputacional da EAC. Os resultados indicam que a EAC é condição potencialmente relevante, mas não suficiente por si só, para transformar o compliance de obrigação legal em compromisso ético internalizado; e que sua efetividade é determinada por cinco condicionantes organizacionais críticos: comprometimento da liderança, coerência das estruturas de incentivo, assimetria setorial, maturidade institucional e governança de implementação do programa. Como contribuição autoral, propõe-se o modelo PEAC-PDCA, estrutura cíclica integrada à ISO 14001:2015 que articula diagnóstico socioambiental participativo, implementação por metodologias dialógicas, monitoramento de mudança comportamental real e melhoria contínua alinhada aos pilares E, S e G. Conclui-se que o modelo constitui uma estrutura de possibilidade, e não garantia de resultado, e que a EAC corre o risco de ser capturada por agendas meramente reputacionais quando esses condicionantes estão ausentes. As limitações do estudo incluem seu caráter não empírico, a ausência de protocolo de revisão sistemática e a heterogeneidade dos contextos corporativos, que restringem a generalização da proposta a organizações com sistemas formais de gestão ambiental já implantados.
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