MUDANÇAS NO PERFIL ALIMENTAR E EPIDEMIOLÓGICO: A DEGENERAÇÃO DO CORPO HUMANO EM PERSPECTIVA NUTRICIONAL
DOI:
https://doi.org/10.61164/k0qmmh26Palavras-chave:
Doenças Crônicas Não Transmissíveis, Obesidade, Alimentos processadosResumo
A obesidade se tornou um dos maiores desafios da saúde pública mundial, além de ser um grave problema, a prevalência desta condição é crescente em todo o mundo. No Brasil, 54,0% da população apresentavam excesso de peso, destes, 19,2% dos homens e 18,7% das mulheres já tinham obesidade. Esse quadro de obesidade está relacionado à diversas doenças como diabetes, câncer, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, doenças cardíacas e Alzheimer, as chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), as quais são as maiores causas de morte no mundo, atualmente, substituindo as doenças infecciosas. Desse modo, o presente estudo, por meio de uma revisão da literatura, objetivou analisar de que maneira a transição do padrão alimentar, caracterizada pela redução do consumo de alimentos in natura e pelo aumento da ingestão de produtos ultraprocessados, têm influenciado o perfil epidemiológico contemporâneo, especialmente no que se refere ao crescimento das DCNT. A mudança no perfil epidemiológico mudou concomitante com o padrão alimentar. Os alimentos in natura foram substituídos por alimentos ultraprocessados, que, geralmente, são ricos em açúcar, sal,gorduras e aditivos químicos como conservantes e corantes, e pobres em nutrientes essenciais para a saúde como as proteínas, os lipídios e carboidratos saudáveis, vitaminas e minerais. Essa dieta moderna está afetando diretamente a saúde humana global com as DCNT. Os meios de comunicação e as redes sociais estão diretamente envolvidas nesse processo de transição nutricional e epidemiológica. As grandes marcas de rede de alimentos investem pesado nas propagandas para estimular o consumo de seus produtos ultraprocessados, influenciando o modo como as pessoas se alimentam em todas as classes sociais, onde as crianças são as mais vulneráveis. Como resposta, políticas públicas foram criadas e continuam em desenvolvimento para combater esse caos global na saúde pública, no entanto, os resultados até o momento não mostram grandes mudanças e as prevalências de obesidade e outras DCNT vêm aumentando a cada ano.
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