UM PÉ DENTRO, UM PÉ FORA: MOTIVAÇÃO PARA O TRABALHO VOLUNTÁRIO E PRÁTICAS DE CIDADANIA NO ORÇAMENTO DEMOCRÁTICO DA PARAÍBA
DOI:
https://doi.org/10.61164/bsbm8c47Palavras-chave:
motivação; trabalho voluntário; práticas de cidadania; orçamento participativo; participação política.Resumo
A literatura sobre participação cidadã em conselhos e orçamentos participativos reconhece o papel central do trabalho voluntário na sustentação desses arranjos, mas ainda discute quais perfis motivacionais de fato ajudam a transformar presença em práticas mais estáveis de cidadania. Este artigo investiga as relações entre motivação para o trabalho voluntário e práticas de cidadania entre conselheiros do Orçamento Democrático Estadual da Paraíba (ODE-PB), a partir da comparação entre dois estudos transversais realizados em momentos equivalentes do ciclo participativo: ingresso e conclusão de mandato. O estudo deriva de uma dissertação de mestrado em Administração e articula referenciais sobre motivação voluntária (Cavalcante, 2012, 2016) e práticas de cidadania (Caldas, 2020). São utilizados dois bancos de dados independentes: (i) a base de Leite (2023), com 245 conselheiros que atuaram nos Conselhos Regionais do ODE-PB entre 2020 e 2022, representando o ingresso no mandato, e (ii) a base de Silvestre (2024), com 200 conselheiros de ciclo posterior, representando a conclusão do mandato. Em ambos os estudos foram aplicadas escalas validadas de motivação para o trabalho voluntário e de práticas de cidadania, com recurso à análise fatorial confirmatória e à modelagem de equações estruturais estimadas separadamente para cada base. Os resultados apontam que motivos valorativos e de compreensão mantêm associações mais consistentes com práticas de cidadania social e política do que motivações estritamente instrumentais, sobretudo entre conselheiros em conclusão de mandato. Dimensões afiliativas e identitárias, por sua vez, mostram-se mais sensíveis ao contexto e às condições institucionais do ODE-PB. Conclui-se que a consolidação de práticas de cidadania exige arranjos institucionais capazes de sustentar, ao longo do tempo, motivações orientadas ao bem comum e à justiça, para além de incentivos imediatos, mesmo que os dados aqui analisados não acompanhem longitudinalmente os mesmos indivíduos.
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