TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NO ENSINO DE HISTÓRIA: MEDIAÇÕES PEDAGÓGICAS, FORMAÇÃO DOCENTE E RECONFIGURAÇÃO CURRICULAR NO ENSINO MÉDIO
DOI:
https://doi.org/10.61164/46pqja83Palavras-chave:
Ensino de História; Tecnologias da Informação e Comunicação; Formação Docente; Mediação Pedagógica; Currículo do Ensino Médio.Resumo
O presente estudo analisa de que modo as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) reconfiguram o ensino de História no Ensino Médio, considerando suas implicações nas mediações pedagógicas, na formação docente e na organização curricular. Fundamentado em referenciais contemporâneos da didática da História, da educação digital e das políticas curriculares, o trabalho parte do pressuposto de que a integração das TIC ultrapassa o uso instrumental de recursos tecnológicos, configurando-se como um processo formativo, pedagógico e epistemológico. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem mista, de natureza exploratória e aplicada, estruturada como estudo de caso em escolas públicas de Ensino Médio no município de Floresta, Pernambuco. Participaram da pesquisa oito professores de História e cento e cinco estudantes, com coleta de dados realizada por meio de entrevistas semiestruturadas, questionários com escalas do tipo Likert, observações de aulas e grupos focais. Os dados foram analisados a partir de procedimentos de triangulação, articulando análises qualitativas e quantitativas. Os resultados evidenciam que, embora haja reconhecimento do potencial das TIC para promover aprendizagens históricas mais críticas, interativas e contextualizadas, persistem desafios estruturais e formativos, especialmente relacionados à infraestrutura tecnológica e à insuficiência de formação continuada específica. A intervenção pedagógica desenvolvida, centrada em oficinas formativas e no uso intencional de ferramentas digitais, revelou impactos positivos na prática docente e no engajamento discente, favorecendo a autonomia, a aprendizagem colaborativa e o desenvolvimento de competências históricas e digitais. Conclui-se que a integração das TIC no ensino de História requer políticas públicas articuladas, investimento em formação docente crítica e reconfiguração curricular que reconheça as tecnologias como mediações pedagógicas constitutivas do processo de ensino-aprendizagem.
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