ATIVIDADE ANTIBACTERIANA DE EXTRATOS PEPTÍDICOS OBTIDOS DAS FLORES DE Spondias purpurea L. CONTRA ESPÉCIES DE INTERESSE CLÍNICO
DOI:
https://doi.org/10.66104/esh4ec77Palavras-chave:
Bioprospecção; Caatinga; antimicrobianos; BiotecnologiaResumo
A resistência antimicrobiana (RAM) tem se intensificado nas últimas décadas, comprometendo a eficácia dos antibióticos disponíveis e impulsionando a prospecção de novas alternativas terapêuticas. Os peptídeos antimicrobianos (PAMs) de origem vegetal destacam-se devido à sua diversidade estrutural e eficiência frente a espécies bacterianas de interesse clínico. Spondias purpurea L é uma espécie que ocorre no bioma Caantiga, importante por produzir frutos e por possuir atividades farmacológicas, como antimicrobiana. No entanto, não há relatos sobre os efeitos de extratos peptídicos contra microrganismos patogênicos. Assim, o presente estudo teve como objetivo obter extratos peptídicos fracionados a partir de flores de S. purpurea e avaliar a atividade antibacteriana frente a diferentes cepas de Staphylococcus aureus e Escherichia coli. A extração dos peptídeos foi realizada em tampão fosfato, seguida de fracionamento por precipitação com sulfato de amônio entre 50 e 90%, resultando nas frações SpF-50-70% e SpF-70-90%. Independentemente da concentração testada ou espécie bacteriana, nenhum extrato resultou em inibição igual ou maior a 50%, impossibilitando a determinação da IC50. Em relação as cepas de E.coli os dois extratos inibiram o crescimento de forma dependente de concentração, com percentuais variando de 10% a 40%. O efeito dependente de concentração não foi observado nos testes com S. aureus. O extrato SpF-70-90% foi mais eficaz contra a cepa ATCC e MRSA, enquanto a SpF-50-70% demonstrou maior efeito inibitório frente ao isolado clínico de S. aureus. Em todos os tratamentos, os maiores percentuais de inibição foram observados na concentração 200 µg/mL. Os resultados sugerem que as flores de S purpurea constituem uma fonte potencial de peptídeos bioativos com ação antibacteriana, especialmente contra espécies de interesse clínico, porém, esses resultados são etapa preliminar na prospecção de peptídeos isolados. Isso reforça a necessidade de estudos adicionais de purificação, caracterização e avaliação funcional dessas moléculas.
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