SABERES QUE CUIDAM, VÍNCULOS QUE FORTALECEM: PLANTAS TERAPÊUTICAS NAS PRÁTICAS FAMILIARES COMO EXPRESSÃO CULTURAL E IDENTITÁRIA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.66104/x2emxc73

Palavras-chave:

Bem- Estar; Cuidado Familial; Memórias; Plantas; Saberes tradicionais.

Resumo

O presente estudo descreve o papel das plantas terapêuticas nas práticas familiares de cuidado à saúde apresentando-as como expressões culturais identitárias e afetivas transmitidas entre gerações. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa com a coleta de informações realizada através de rodas de conversa, diário multimídia, oficinas e entrevistas. Os relatos apresentados mostram as memórias acerca dos usos cotidianos e os significados atribuídos às plantas em uma perspectiva terapêutica e alimentar. Os dados foram analisados por meio da análise interpretativa de Geertz enquanto uma construção dialógica e interpretativa densa, permitindo identificar como os saberes sobre as plantas e seus usos são construídos historicamente nas relações sociais e na experiência vivida junto a família. Os resultados evidenciam que o uso das plantas ultrapassa a dimensão terapêutica, configurando-se como um sistema de cuidado que envolve afeto, oralidade, convivência e aprendizagem prática no ambiente familiar e comunitário. As práticas com chás, temperos e preparações caseiras emergem como mediadoras simbólicas de vínculos intergeracionais, fortalecendo a memória social e a identidade cultural dos participantes. Observa-se, ainda, que tais saberes permanecem ativos no cotidiano contemporâneo, embora passem por processos de ressignificação frente às transformações socioculturais, à urbanização e à medicalização do cuidado. Nesse sentido percebe-se que os conhecimentos tradicionais associados às plantas desempenham papel central na promoção do cuidado relacional, na transmissão cultural e no fortalecimento dos laços familiares, relevante para a saúde e o bem-estar. Nesse sentido, o estudo contribui para a valorização dos saberes populares no campo da saúde e das relações socioculturais.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Dra Yolanda Flores e Silva, Universidade do Vale do Itajaí

    Enfermeira / Antropóloga. Doutora em Enfermagem (UFSC) com Pós-Doutoramento em Turismo (Pesquisa sobre Desenvolvimento Comunitário e Bem-Estar) pela Universidade do Algarve (Portugal). Docente e Pesquisadora no Programa de Pós-Graduação em Saúde e Gestão do Trabalho (Mestrado Profissional) na Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI).

  • Mestranda Taiana Maíra Armanini, Clínica Santé (Sócia Proprietária)

    Nutricionista - Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Saúde e Gestão do Trabalho (Mestrado Profissional na Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) - Itajaí -SC-Brasil.

Referências

ALENCAR, Q.H.O; OLIVEIRA, D.K.; SANTOS, M. B. Uso domiciliar de plantas medicinais por usuários dos erviços das Unidades Básicas de Saúde do município de Toledo, Paraná. Revista Fitos, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, v.15, n.4, p.494-507, 2021. DOI: 10.32712/2446-4775.2021.1120. DOI: https://doi.org/10.32712/2446-4775.2021.1120

BORTOLOTTO I, M. et al. Mulheres em rede: conectando saberes sobre plantas alimentícias do cerrado e do pantanal. Ethnoscientia, v.6, n.2, especial, p. 198 – 232, 2021. D.O.I.: https://orcid.org/0000-0002-6884-7051 DOI: https://doi.org/10.18542/ethnoscientia.v6i2.10374

BORTOLOTTO, I. M. (org.). Conservação da biodiversidade, alimentos e cultura em Mato Grosso do Sul. Campo Grande: Editora UFMS, 2017. 68 p. (Coleção Sabres do Cerrado e do Pantanal, v. 2)

CEPAGRO. Agricultura urbana: hortas e tratamento de resíduos orgânicos. Florianópolis: CEPAGRO, 2013. Disponível: https://cepagro.org.br/wp-content/uploads/2023/05/03-Agricultura-Urbana.pdf

CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: abordagens qualitativas, quantitativas e de métodos mistos (3ª ed.). Londres: Sage Publications – Inc, 2009.

DEMÉTRIO, F; SANTANA, E.R; PEREIRA-SANTOS, M. O Itinerário Terapêutico no Brasil: revisão sistemática e metassíntese a partir das concepções negativa e positiva de saúde. Saúde Debate, Rio de Janeiro, v. 43, n.7, p.204-221, dez 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-11042019s716

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

FREIRE, P. Extensão ou comunicação? 7 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2008.

HOFFMANN, R. Saberes populares de plantas medicinais: um grito inaudível? [Monografia] - Trabalho de Conclusão Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família, Universidade Federal do Paraná. Curitiba: UFPR, 2018.

KINCHELOE, J. L.; McLAREN, P. Repensando a teoria crítica e a pesquisa qualitativa. In: DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. (Org.).O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens. Porto Alegre: Artmed , 2006.

LIMA, E.D; SILVA, K.D. Os saberes tradicionais acerca do uso de plantas medicinais em quintais agroflorestais nas zonas urbana e periurbana de Altamira. Revista Brasileira de Desenvolvimento Territorial Sustentável - Guaju, Matinhos, v.9, 2023. DOI: https://doi.org/10.5380/guaju.v9i0.87327

MACEDO, T.; MARTINS, E. Em busca da inovação: os especiais multimídia para comunicar a ciência em uma instituição da Amazônia. Chasqui - Revista Latinoamericana de Comunicación, n. 144, p. 279 – 298, 2020. DOI: https://doi.org/10.16921/chasqui.v0i144.3931

MARTINEZ, J. L; MAROYI, A; WAGNER, M.L. Ethnobotany From the Traditional to Ethnopharmacology. Boca Raton, FL: CRC Press Taylor & Francis Group, 2023. Disponível em: Ethnobotany | From the Traditional to Ethnopharmacology | José L. Mart DOI: https://doi.org/10.1201/9781003200147

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: Hucitec Editora, 2014.

MOREIRA CRUZ, L.; ANDRADE COELHO, L. RODA DE CONVERSA ON-LINE: perspectivas e desafios da técnica. Momento - Diálogos em Educação, [S. l.], v. 31, n. 03, p. 126–143, 2022. DOI: https://doi.org/10.14295/momento.v31i03.14008 . DOI: https://doi.org/10.14295/momento.v31i03.14008

NASCIMENTO, A. T do et al. Uso de plantas medicinais e fitoterápicos no contexto da Atenção Primária à Saúde: uma revisão integrativa. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 27, n. 2, p. 677-686, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232022272.46312020

OLIVEIRA, M.S.S., SANTOS, L.A.S. Guias alimentares para a população brasileira: uma análise a partir das dimensões culturais e sociais da alimentação. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.25, n.7, p.2519-2528, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232020257.22322018

PEREIRA, et al. Plantas com potencial medicinal em quintais agroflorestais: diversidade entre comunidades rurais do Portal da Amazônia -Mato Grosso, Brasil. Research, Society and Development, v. 10, n.6, p. 1 – 17, 2021. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i6.15713 DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i6.15713

RAI, M.; ACHARYA, D.; RÍOS, J. L. Ethnomedicinal Plants Revitali. Boca Raton, FL: CRC Press Taylor & Francis Group, 2011. Disponível em: Ethnomedicinal Plants | Revitalizing of Traditional Knowledge of Herbs.

REIS, H.S; PAZ, C.D; OLIVEIRA, J.G.A. O conhecimento e uso tradicional de plantas medicinais nas perspectivas da etnobotânica e agroecologia: uma revisão teórica. Revista Observatório de Economia Latino-Americana, Curitiba, v.21, n.9, p. 12098-12122. 2023. DOI: https://doi.org/10.55905/oelv21n9-086

SÁ, R. G. de. Memória social do uso de plantas medicinais em uma comunidade ribeirinha do Amazonas. 2019. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal do Amazonas. Manaus: UFA, 2019.

SANTOS, M.G; QUINTEIRO, M. Saberes tradicionais e locais: reflexões etnobiológicas. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2018. DOI: https://doi.org/10.7476/9788575114858

SILVA, C.R.E., et al. Influência dos pais sobre o hábito alimentar na infância: revisão integrativa. Enciclopédia Biosfera, Jandaia, v.18 n.37; p. 286 – 295, 2021. DOI: https://doi.org/10.18677/EnciBio_2021C23

SILVA, M.K.A.G; SILVA, B.G; SANTOS, B.C.C. Plantas medicinais em quintais agroflorestais: uma caracterização sócio-econômico-cultural de uma comunidade do semiárido brasileiro. Anais do XI Congresso Brasileiro de Agroecologia, São Cristóvão, Sergipe, v.15, n.02, 2020.

SILVA, A.S.S; MILLER, F.S.; VASQUEZ, V.L. Conhecimento e uso de plantas medicinais na comunidade do Catu, Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Canguaretama, v.21, n.148-159, 2019. DOI: https://doi.org/10.70151/v6r9te71

SOUZA, B. C. de O. Q. de. Desenvolvendo hábitos culturais e saberes práticos: plantas medicinais como fonte de saúde coletiva. Rev. Ext. Integrac. Amaz, Santarém-Pará, v. 03, n. 01, p. 164 – 167. 2022.

STAROSTA, J. A.; ANJOS, M. de C. R. dos. “Cantos e saberes”: processo de construção de um documentário sobre plantas medicinais. RECIIS, [S. l.], v. 14, n. 1, p. 1 -13, 2020. DOI: http://dx.doi.org/10.29397/reciis.v14i1.1748 DOI: https://doi.org/10.29397/reciis.v14i1.1748

STRATE, M. F.; COSTA, S. M. Quintais produtivos: contribuição à segurança alimentar e ao desenvolvimento. Braz. J. of Develop., v. 4, n. 7, Edição Especial, p. 3732­3744, 2018.

TAMENE, S., NEGASH, M., MAKONDA, F.B. et al. Estudo etnobotânico sobre o conhecimento de plantas medicinais entre três grupos étnicos em áreas periurbanas do centro-sul da Etiópia. J Etnobiologia Etnomedicina, v.19, n.55, 2023.

Downloads

Publicado

2026-02-27

Como Citar

SABERES QUE CUIDAM, VÍNCULOS QUE FORTALECEM: PLANTAS TERAPÊUTICAS NAS PRÁTICAS FAMILIARES COMO EXPRESSÃO CULTURAL E IDENTITÁRIA. (2026). REMUNOM, 2(03), 1-34. https://doi.org/10.66104/x2emxc73