ANTIDEPRESSIVOS NO MANEJO DA DOR OROFACIAL: REVISÃO NARRATIVA DAS EVIDÊNCIAS CLÍNICAS
DOI:
https://doi.org/10.66104/fcx4vv60Palavras-chave:
Antidepressivos, Dor orofacial, Disfunção temporomandibular, Amitriptilina, DuloxetinaResumo
A dor orofacial constitui uma condição clínica complexa e multifatorial, frequentemente associada a disfunções temporomandibulares, dores neuropáticas e fatores psicossociais, podendo comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes. As terapias convencionais, baseadas principalmente no uso de analgésicos e anti-inflamatórios, nem sempre apresentam eficácia satisfatória, especialmente nos casos crônicos, o que tem estimulado a busca por alternativas farmacológicas mais eficazes. O presente estudo teve como objetivo analisar a eficácia do uso de antidepressivos no tratamento da dor orofacial e discutir suas implicações na prática odontológica. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada nas bases de dados PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), incluindo estudos clínicos, revisões sistemáticas e meta-análises que abordaram o uso de antidepressivos nesse contexto. Os resultados indicam que antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina, e inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina, como a duloxetina e o milnaciprano, apresentam eficácia na redução da dor orofacial e na melhora da qualidade de vida, além de atuarem sobre sintomas associados de ansiedade e depressão. Conclui-se que os antidepressivos constituem uma alternativa terapêutica relevante no manejo da dor orofacial, desde que prescritos de forma individualizada e com adequado acompanhamento clínico.
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