A DIMENSÃO POLÍTICA DA EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE: PRODUÇÃO DE AUTONOMIA E RESISTÊNCIA NO CAMPO DA SAÚDE COLETIVA
DOI:
https://doi.org/10.66104/a77ecf49Palavras-chave:
Educação em Saúde; Participação da Comunidade; Autonomia Pessoal; Saúde Pública; Sistema Único de Saúde.Resumo
A Educação Popular em Saúde (EPS) constitui-se como um campo teórico e prático desenvolvido no interior da Saúde Coletiva brasileira a partir da articulação entre movimentos sociais, práticas comunitárias e iniciativas de profissionais comprometidos com a democratização do cuidado em saúde. Diferentemente de abordagens educativas tradicionais baseadas na transmissão vertical de informações, a EPS propõe a construção compartilhada do conhecimento entre profissionais e população, valorizando saberes populares, experiências comunitárias e processos coletivos de reflexão sobre as condições de vida e saúde. Este estudo teve como objetivo analisar a dimensão política da Educação Popular em Saúde, destacando sua contribuição para a produção de autonomia e para o fortalecimento de processos de resistência e participação social no campo da Saúde Coletiva. A discussão evidencia que a EPS se fundamenta em princípios como diálogo, problematização da realidade e construção coletiva do conhecimento, inspirados na pedagogia crítica de Paulo Freire, articulando-se historicamente às lutas sociais, à Reforma Sanitária brasileira e à consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). No âmbito das políticas públicas, a institucionalização da Política Nacional de Educação Popular em Saúde fortaleceu práticas educativas comprometidas com a participação social, a cidadania sanitária e a defesa do direito à saúde. Conclui-se que a EPS se configura como instrumento político capaz de estimular processos de autonomia, fortalecer vínculos comunitários e ampliar formas de resistência frente às desigualdades que atravessam o campo da saúde.
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