HOSPITALIZAÇÕES POR ENDOMETRIOSE NO SUDESTE BRASILEIRO: DISPARIDADES RACIAIS, FAIXA ETÁRIA E DESAFIOS À EQUIDADE NO SUS.

Autores

  • Valéria de Oliveira Ambrósio Univale Universidade Vale do Rio Doce. https://orcid.org/0000-0002-7142-2687
  • Sheila Aparecida Ribeiro Furbino Univale Universidade Vale do Rio Doce. https://orcid.org/0009-0007-1151-9480
  • Marileny Boechat Frauches Brandão Univale Universidade Vale do Rio Doce. https://orcid.org/0000-0002-3188-8319
  • Clara Belmiro Rodrigues de Assis Hospital Bom Samaritano
  • Lara Ferreira Brito Univale Universidade Vale do Rio Doce.
  • Caio Vinícius de Moura Silva Hospital Bom Samaritano
  • Thamilly Ruas Figueiredo Borborema Univale Universidade Vale do Rio Doce. Secretaria Municipal de Saude de Governador Valadares
  • Leonardo Oliveira Leão e Silva Universidade Vale do Rio Doce, Brasil
  • Maria Aparecida de Lima Univale Universidade Vale do Rio Doce - Secretaria Municipal de Saúde de Governador Valadares

DOI:

https://doi.org/10.66104/mks93p93

Palavras-chave:

endometriose; saúde da mulher; hospitalização; disparidades em saúde; economia da saúde.

Resumo

A endometriose é uma patologia inflamatória crônica que afeta órgãos pélvicos e abdominais, podendo causar dores severas e infertilidade. Este estudo objetivou analisar o panorama das hospitalizações por endometriose na Região Sudeste do Brasil entre 2015 e 2024, investigando indicadores de morbimortalidade, distribuição sociodemográfica e o impacto financeiro no Sistema Único de Saúde (SUS). Realizou-se um estudo ecológico, descritivo e quantitativo, com coleta de dados secundários via Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Os resultados revelaram um total de 53.105 hospitalizações, concentradas majoritariamente nos estados de São Paulo e Minas Gerais. A faixa etária predominante foi de 30 a 49 anos, evidenciando o diagnóstico tardio durante o período reprodutivo avançado. Embora a taxa de mortalidade global tenha sido baixa (0,15), observou-se uma letalidade proporcional superior entre mulheres pretas (0,11%) em comparação às pardas e brancas, sugerindo barreiras estruturais no acesso ao cuidado e subdiagnóstico. O custo total das internações superou R$ 32,5 milhões, refletindo a alta complexidade dos casos que chegam à rede hospitalar. Conclui-se que a endometriose no Sudeste é marcada por desigualdades étnico-raciais e expressivo ônus econômico, demandando políticas públicas que fortaleçam o diagnóstico precoce e a equidade na assistência à saúde da mulher no SUS.

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Publicado

2026-03-18

Como Citar

HOSPITALIZAÇÕES POR ENDOMETRIOSE NO SUDESTE BRASILEIRO: DISPARIDADES RACIAIS, FAIXA ETÁRIA E DESAFIOS À EQUIDADE NO SUS. (2026). REMUNOM, 13(03), 1-25. https://doi.org/10.66104/mks93p93