DETERMINAÇÃO SOCIAL DA SAÚDE E VULNERABILIDADE TERRITORIAL: ANÁLISE ESPACIAL DA CARGA DE DOENÇA E DA DISTRIBUIÇÃO DESIGUAL DE SERVIÇOS PÚBLICOS
DOI:
https://doi.org/10.66104/58jfs394Palavras-chave:
Determinantes Sociais da Saúde; Análise Espacial; Vulnerabilidade Social; Distribuição Espacial da População; Saúde PúblicaResumo
A determinação social da saúde constitui abordagem fundamental para compreender como fatores sociais, econômicos e territoriais participam da produção das desigualdades em saúde observadas nas populações. No Brasil, diferenças relacionadas à renda, às condições de vida e ao acesso a serviços públicos influenciam diretamente a distribuição de agravos e a organização da oferta de cuidados em saúde. O território expressa materialmente essas desigualdades, concentrando contextos distintos de exposição a riscos sanitários e de acesso a recursos sociais. Diante desse cenário, o estudo tem como objetivo analisar a relação entre determinação social da saúde e vulnerabilidade territorial, considerando a distribuição espacial da carga de doença e a organização da oferta de serviços públicos. Para isso, desenvolveu-se uma investigação baseada na análise teórica de produções científicas que discutem desigualdades sociais, organização territorial e distribuição de agravos à saúde. A discussão evidencia que diferenças socioeconômicas e territoriais influenciam a ocorrência de doenças, a utilização de serviços de saúde e a disponibilidade de recursos assistenciais, produzindo padrões desiguais de morbidade e mortalidade entre regiões e grupos sociais. A incorporação da análise espacial nas investigações em saúde pública permite identificar áreas de maior concentração de agravos e compreender como condições sociais e territoriais participam da configuração desses padrões. A compreensão dessas relações contribui para o fortalecimento do planejamento em saúde e para a formulação de políticas públicas orientadas pela equidade na organização dos serviços e na distribuição de recursos no sistema de saúde.
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