COMPREENSÕES SOBRE O SUICÍDIO DE PASTORES: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
DOI:
https://doi.org/10.66104/qwfy4k91Palavras-chave:
Suicídio, Pastores, Líderes Religiosos, Cuidado Pastoral, Prevenção do SuicídioResumo
A compreensão do suicídio de pastores exige um olhar para além de uma perspectiva social, englobando pressões institucionais, conflitos internos e dimensões existenciais próprias do exercício pastoral. O sofrimento pastoral é atravessado por pressões institucionais e dimensões existenciais próprias do ministério. A fenomenologia oferece uma possibilidade de compreensão do fenômeno, focando no modo de ser dos pastores e buscando desvelar a experiência vivida. Objetivo: o estudo objetivou examinar, por meio de uma revisão integrativa, a produção científica acerca do suicídio entre pastores. Metodologia: Revisão integrativa inspirada no PRISMA, com pergunta norteadora “o que a literatura científica tem produzido sobre o suicídio de pastores”. As buscas em bases referenciais do SciELO, BVS LILACS, PubMed MEDLINE, Scopus, Web of Science e PsycINFO, resultaram em um corpus com quatro artigos sobre suicídio pastoral. A análise foi orientada pela fenomenologia-hermenêutica. Resultados e Discussão: Os quatro artigos encontrados indicam que o pastor é um modo de ser-no-mundo marcado por solidão, sobrecarga e silenciamento. A religião pode agravar o risco ao fomentar culpa, vergonha e estigma, ou atuar como proteção ao rearticular o sentido após a crise. Conflitos de liderança disfuncionais e instabilidade institucional intensificam o estresse e o risco. O suporte emocional oferecido à congregação pode ser preditor de ideação suicida. O suicídio pastoral emerge quando possibilidades de sentido e ação se obscurecem, configurando uma experiência-limite. Considerações Finais: O tema permanece subexplorado, com destaque para a ausência de estudos em língua portuguesa. É necessária a adoção de uma ética de “cuidado do cuidador”, com a constituição de espaços para a supervisão clínica profissional e pastoral, refletindo sobre a divisão de cargas de trabalho sustentáveis e redes de suporte em saúde mental.
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