INTERAÇÕES LINGUÍSTICAS FAMILIARES E DESENVOLVIMENTO SOCIOCOGNITIVO: IMPLICAÇÕES PARA A TEORIA DA MENTE NA EDUCAÇÃO INFANTIL
DOI:
https://doi.org/10.66104/7mkwpf30Palavras-chave:
Teoria da Mente; crença falsa; desenvolvimento sociocognitivo; linguagem; Educação Infantil.Resumo
Este estudo investiga a relação entre práticas linguísticas maternas e o desenvolvimento da compreensão de crença falsa em crianças da Educação Infantil, considerando suas implicações para o desenvolvimento da Teoria da Mente. A Teoria da Mente refere-se à capacidade de atribuir estados mentais — como crenças, desejos, intenções e emoções — a si mesmo e aos outros, permitindo interpretar e prever comportamentos em contextos sociais. Pesquisas na área da psicologia do desenvolvimento indicam que essa habilidade emerge gradualmente na infância e está fortemente associada às experiências sociais e linguísticas vivenciadas pelas crianças. Interações familiares que envolvem conversações sobre pensamentos, sentimentos e intenções tendem a favorecer a construção da compreensão dos estados mentais. Nesse contexto, o estudo analisa os efeitos de um programa de intervenção com mães orientado ao uso de linguagem explicativa sobre estados mentais durante interações cotidianas com seus filhos. A fundamentação teórica articula estudos clássicos e contemporâneos sobre Teoria da Mente, desenvolvimento sociocognitivo e o papel da linguagem nas interações sociais. Os resultados apontam que experiências linguísticas que enfatizam termos mentalistas podem contribuir para potencializar o desempenho infantil em tarefas de crença falsa. Além disso, discutem-se implicações pedagógicas para a Educação Infantil, destacando o papel das interações linguísticas, das narrativas e das brincadeiras simbólicas na promoção do desenvolvimento sociocognitivo. Conclui-se que práticas educativas e familiares que valorizam conversações sobre estados mentais podem favorecer a compreensão da mente do outro e contribuir para o desenvolvimento das habilidades sociais e comunicativas na infância.
Downloads
Referências
ASTINGTON, J. W.; JENKINS, J. M. A longitudinal study of the relation between language and theory-of-mind development. Developmental Psychology, Washington, v. 35, n. 5, p. 1311–1320, 1999. DOI: https://doi.org/10.1037//0012-1649.35.5.1311
BRETHERTON, I.; BEEGHLY, M. Talking about internal states: The acquisition of an explicit theory of mind. Developmental Psychology, Washington, v. 18, n. 6, p. 906–921, 1982. DOI: https://doi.org/10.1037/0012-1649.18.6.906
BRUNER, J. Acts of meaning. Cambridge: Harvard University Press, 1990.
BRUNER, J. A cultura da educação. Porto Alegre: Artmed, 1997.
DE VILLIERS, J. G.; DE VILLIERS, P. A. Linguistic determinism and the understanding of false beliefs. In: MITCHELL, P.; RIGGS, K. (org.). Children’s reasoning and the mind. Hove: Psychology Press, 2000. p. 191–228.
DIAS, M. G. B. B. A compreensão de crença falsa em crianças brasileiras. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 9, n. 3, p. 495–507, 1993.
DUNN, J. Children’s friendships: The beginnings of intimacy. Oxford: Blackwell, 1994.
DUNN, J.; BROWN, J.; BEARDSALL, L. Family talk about feeling states and children’s later understanding of others’ emotions. Developmental Psychology, Washington, v. 27, n. 3, p. 448–455, 1991. DOI: https://doi.org/10.1037//0012-1649.27.3.448
FLAVELL, J. H. Theory-of-mind development: Retrospect and prospect. Merrill-Palmer Quarterly, Detroit, v. 50, n. 3, p. 274–290, 2004. DOI: https://doi.org/10.1353/mpq.2004.0018
FLAVELL, J. H.; MILLER, P. H.; MILLER, S. A. Cognitive development. 3. ed. Upper Saddle River: Prentice Hall, 1999.
GOPNIK, A.; MELTZOFF, A. N. Words, thoughts and theories. Cambridge: MIT Press, 1997. DOI: https://doi.org/10.7551/mitpress/7289.001.0001
HARRIS, P. L. The work of the imagination. Oxford: Blackwell, 2000.
JOU, G. I.; SPERB, T. M. Teoria da mente: diferentes abordagens de investigação. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v. 9, n. 2, p. 287–306, 1996. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-79721999000200004
MALUF, M. R. et al. Desenvolvimento sociocognitivo e teoria da mente na infância. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v. 17, n. 1, p. 67–74, 2004.
OLIVEIRA, M. K. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento – um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 2011.
PANCIERA, S. M. A. Teoria da mente e linguagem: relações no desenvolvimento infantil. Porto Alegre: PUCRS, 2002.
PANCIERA, S. M. A. Intervenção linguística e desenvolvimento da teoria da mente em crianças. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 245–252, 2007.
PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
PREMACK, D.; WOODRUFF, G. Does the chimpanzee have a theory of mind? Behavioral and Brain Sciences, Cambridge, v. 1, n. 4, p. 515–526, 1978. DOI: https://doi.org/10.1017/S0140525X00076512
ROGOFF, B. The cultural nature of human development. Oxford: Oxford University Press, 2005.
VALÉRIO, S. Desenvolvimento da teoria da mente em crianças pequenas. Porto Alegre: UFRGS, 2008.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
WELLMAN, H. M. Making minds: How theory of mind develops. Oxford: Oxford University Press, 2014. DOI: https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780199334919.001.0001
WELLMAN, H. M.; CROSS, D.; WATSON, J. Meta-analysis of theory-of-mind development: The truth about false belief. Child Development, Hoboken, v. 72, n. 3, p. 655–684, 2001. DOI: https://doi.org/10.1111/1467-8624.00304
WIMMER, H.; PERNER, J. Beliefs about beliefs: Representation and constraining function of wrong beliefs in young children’s understanding of deception. Cognition, Amsterdam, v. 13, n. 1, p. 103–128, 1983. DOI: https://doi.org/10.1016/0010-0277(83)90004-5
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Fernanda Germani de Oliveira Chiaratti

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista;
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista, desde que adpatado ao template do repositório em questão;
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
- Os autores são responsáveis por inserir corretamente seus dados, incluindo nome, palavras-chave, resumos e demais informações, definindo assim a forma como desejam ser citados. Dessa forma, o corpo editorial da revista não se responsabiliza por eventuais erros ou inconsistências nesses registros.
POLÍTICA DE PRIVACIDADE
Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.
Obs: todo o conteúdo do trabalho é de responsabilidade do autor e orientador.
