CUIDADO INTEGRAL À SAÚDE DA MULHER NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: BASES CONCEITUAIS, DESAFIOS ORGANIZACIONAIS E IMPLICAÇÕES PARA O SUS
DOI:
https://doi.org/10.66104/dabv6490Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Saúde da Mulher, Integralidade em Saúde, Promoção da Saúde, Sistema Único de SaúdeResumo
A Atenção Primária à Saúde (APS) ocupa posição estratégica na organização dos sistemas de saúde orientados pela universalidade, integralidade, equidade e continuidade do cuidado. No campo da saúde da mulher, sua importância transcende a assistência reprodutiva, abrangendo promoção da saúde, prevenção de agravos, detecção precoce de doenças, cuidado longitudinal das condições crônicas, atenção à saúde mental, enfrentamento da violência e articulação intersetorial para resposta às vulnerabilidades sociais. Este estudo teve como objetivo analisar criticamente o papel da APS como eixo estruturante do cuidado integral à saúde da mulher no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se de uma revisão narrativa de literatura, de natureza qualitativa, ancorada em publicações científicas indexadas e documentos institucionais recentes. Os achados demonstram que a APS, quando organizada com base em seus atributos essenciais e derivados, favorece maior coordenação do cuidado, ampliação do acesso, vínculo, longitudinalidade e respostas mais resolutivas às necessidades femininas ao longo do curso de vida. Por outro lado, persistem desafios relacionados à fragmentação assistencial, baixa incorporação de ações de promoção da saúde, insuficiências no cuidado às mulheres em situação de violência e desigualdades territoriais na oferta e qualidade dos serviços. Conclui-se que o fortalecimento da APS, aliado à qualificação das equipes, ao uso de dados epidemiológicos, à atuação dos agentes comunitários de saúde e à consolidação de redes intersetoriais, constitui condição indispensável para efetivar a atenção integral à saúde da mulher.
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