O USO DA PLETISMOGRAFIA COMO EXAME DE TRIAGEM PARA ARTERIOPATIAS EM PESSOAS COM DIABETES MELLITUS TIPO 2: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
DOI:
https://doi.org/10.66104/47k82n53Palavras-chave:
Pletismografia; Doença Arterial Periférica; Diabetes Mellitus tipo 2; Triagem.Resumo
INTRODUÇÃO: O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença metabólica crônica de alta prevalência, associada a complicações macro e microvasculares decorrentes de disfunção endotelial, estresse oxidativo e processos inflamatórios persistentes. A hiperglicemia crônica promove alterações na biodisponibilidade do óxido nítrico, favorecendo um ambiente pró-trombótico e inflamatório que contribui para o desenvolvimento de arteriopatias, como a doença arterial periférica (DAP). A ausência de estratégias eficazes de triagem e o caráter frequentemente assintomático dessas complicações resultam em diagnóstico tardio, aumentando o risco de úlceras, amputações e mortalidade. Nesse contexto, a pletismografia surge como método não invasivo, de fácil aplicação e potencial utilidade na avaliação precoce de alterações vasculares.
OBJETIVO: Avaliar e sintetizar as evidências científicas disponíveis sobre a eficácia da pletismografia como ferramenta de triagem para arteriopatias em pacientes com DM2.
MÉTODOS: Revisão sistemática com abordagem qualitativa, conduzida conforme a estratégia PICO e as diretrizes PRISMA 2020. A busca foi realizada nas bases BVS, Lilacs, Embase, PubMed e Web of Science, com descritores padronizados relacionados a pletismografia, doença arterial periférica, DM2 e triagem. Foram incluídos estudos publicados entre 2014 e 2024, disponíveis na íntegra, com dados relevantes de desempenho diagnóstico ou sobre a fisiopatologia vascular do DM2. A seleção foi realizada por dois revisores independentes, com resolução de divergências por um terceiro avaliador. A qualidade metodológica foi analisada por ferramentas específicas de avaliação de risco de viés.
RESULTADOS: Os dez estudos incluídos demonstram forte associação entre DM2 e alterações vasculares mediadas por disfunção endotelial, estresse oxidativo e hipercoagulabilidade. A pletismografia mostrou-se um método promissor na avaliação da função vascular, com vantagens como caráter não invasivo, baixo custo e aplicabilidade ambulatorial. Contudo, estudo comparativo de desempenho diagnóstico (Babaei et al., 2020) demonstrou que o índice tornozelo-braquial obtido por pletismografia apresenta sensibilidade de apenas 20% para detecção de DAP, inferior à análise da forma de onda do volume de pulso (81,8%) e ao índice tornozelo-braquial por Doppler (72,7%), embora com alta especificidade. Observa-se escassez de estudos especificamente direcionados ao uso da pletismografia como ferramenta isolada de triagem para arteriopatias em pacientes com DM2.
CONCLUSÃO: A pletismografia apresenta potencial relevante como método não invasivo para avaliação de arteriopatias em pacientes com DM2, especialmente na detecção precoce de disfunções vasculares. Entretanto, sua aplicação clínica como ferramenta de rastreamento de primeira linha ainda é limitada pela escassez de evidências robustas, heterogeneidade metodológica e falta de padronização dos estudos disponíveis. São necessários estudos clínicos controlados e multicêntricos para estabelecer o papel definitivo da técnica na triagem de arteriopatias em pessoas com DM2.
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