ARQUIVAR A VIDA, ORDENAR O DEVIR: CONTENÇÃO DA ALTERIDADE EM A VIDA PRIVADA DAS ÁRVORES, DE ALEJANDRO ZAMBRA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.66104/bwexvv29

Palavras-chave:

Ecocrítica, Literatura, Arquivo, Devir, Pós-humanismo

Resumo

O artigo analisa A vida privada das árvores, de Alejandro Zambra, a partir da hipótese de que o romance tensiona a racionalidade arquivística moderna ao fazer da ausência seu motor temático e formal. Ambientada na noite em que Verónica não retorna para casa, a narrativa acompanha as tentativas de Julián, seu companheiro, de estabilizar a contingência da vida por meio de histórias que domesticam alteridades humanas e não humanas. Em diálogo com perspectivas pós-humanistas, a ecocrítica e aportes de Donna Haraway, Greg Garrard, Michel Foucault e Byung-Chul Han, argumenta-se que a obra expõe limites para o impulso de ordenar o mundo. O desfecho anticlimático revela a vida em seu caráter rizomático, evidenciando a insuficiência do romance como forma de encerramento do devir.

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Biografia do Autor

  • Leandro Moreto da Rosa, Universidade Feevale

    Graduado em Filosofia (UNISINOS) e em Letras (FEEVALE). Atualmente, é mestrando no PPG em Processos e Manifestações Culturais, com bolsa PROSUC/CAPES, pela Universidade Feevale.

  • Ernani Mügge, Universidade Feevale

    Doutor em Literatura Brasileira, Portuguesa e Luso-africana (UFRGS), com pós-doutorado em Cultura e Literatura (PNPD/CAPES). Pesquisador e professor no curso de Letras e no Programa de Pós-Graduação em Processos e Manifestações Culturais (Universidade Feevale) e no curso de Letras da Faculdade Instituto Ivoti. Coordena o projeto Estudos ecocríticos e as cenas literárias do passado: análise de textos literários, cartas, diários, memórias e relatos de viagens dos imigrantes germânicos, alemães e seus descendentes na região sul do Brasil”, apoiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS).

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Publicado

2026-04-07

Como Citar

ARQUIVAR A VIDA, ORDENAR O DEVIR: CONTENÇÃO DA ALTERIDADE EM A VIDA PRIVADA DAS ÁRVORES, DE ALEJANDRO ZAMBRA. (2026). REMUNOM, 13(05), 1-30. https://doi.org/10.66104/bwexvv29