ARQUIVAR A VIDA, ORDENAR O DEVIR: CONTENÇÃO DA ALTERIDADE EM A VIDA PRIVADA DAS ÁRVORES, DE ALEJANDRO ZAMBRA
DOI:
https://doi.org/10.66104/bwexvv29Palavras-chave:
Ecocrítica, Literatura, Arquivo, Devir, Pós-humanismoResumo
O artigo analisa A vida privada das árvores, de Alejandro Zambra, a partir da hipótese de que o romance tensiona a racionalidade arquivística moderna ao fazer da ausência seu motor temático e formal. Ambientada na noite em que Verónica não retorna para casa, a narrativa acompanha as tentativas de Julián, seu companheiro, de estabilizar a contingência da vida por meio de histórias que domesticam alteridades humanas e não humanas. Em diálogo com perspectivas pós-humanistas, a ecocrítica e aportes de Donna Haraway, Greg Garrard, Michel Foucault e Byung-Chul Han, argumenta-se que a obra expõe limites para o impulso de ordenar o mundo. O desfecho anticlimático revela a vida em seu caráter rizomático, evidenciando a insuficiência do romance como forma de encerramento do devir.
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