GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL: UMA ANÁLISE CRÍTICA DAS DIMENSÕES POLÍTICO-PEDAGÓGICAS E INSTITUCIONAIS ALIADOS AOS DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS
DOI:
https://doi.org/10.66104/1f6j1m93Palavras-chave:
Gestão escolar democrática; Educação Inclusiva; Políticas educacionais; Organização escolar; Equidade educacional; Gestão educacional.Resumo
O presente estudo analisa criticamente a relação entre gestão escolar democrática e educação inclusiva no Brasil, a partir das dimensões político-pedagógicas e institucionais que estruturam a organização escolar contemporânea. Parte-se do problema de como as escolas públicas têm operacionalizado os princípios da democracia participativa e da inclusão educacional diante de desafios estruturais, culturais e normativos ainda persistentes. O objetivo consiste em examinar, sob perspectiva analítica, os fundamentos teóricos, os marcos legais e as práticas institucionais que orientam a gestão democrática voltada à inclusão, identificando limites, contradições e possibilidades no contexto brasileiro. Metodologicamente, trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter analítico-interpretativo, com base em produções acadêmicas nacionais e internacionais, documentos normativos e referenciais teóricos consolidados no campo da educação, selecionados a partir de critérios de relevância temática e atualidade. A análise dos dados foi conduzida por meio de procedimentos de categorização temática, permitindo a identificação de eixos estruturantes relacionados à participação, equidade, cultura escolar e organização institucional. Os resultados evidenciam que, embora haja um arcabouço legal robusto que sustente a gestão democrática e a educação inclusiva, sua efetivação encontra entraves significativos, tais como a persistência de práticas centralizadoras, lacunas na formação docente, limitações de recursos e resistências culturais no interior das instituições escolares. Ademais, observa-se uma tensão entre a normatividade das políticas públicas e a concretização de práticas inclusivas no cotidiano escolar, o que exige reconfigurações na cultura organizacional e no papel da gestão. Conclui-se que a gestão escolar democrática, quando orientada por princípios participativos e inclusivos, configura-se como elemento estratégico para a promoção da equidade educacional, desde que articulada a políticas públicas consistentes, processos formativos contínuos e mecanismos institucionais que favoreçam a participação efetiva da comunidade escolar. O estudo contribui ao campo ao propor uma leitura crítica das interfaces entre democracia e inclusão, evidenciando a necessidade de superar abordagens prescritivas e avançar em direção a práticas efetivamente transformadoras.
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