A HIDROGRAFIA DO ABANDONO: MAPEANDO O IMPACTO SOCIOECONÔMICO DAS ENCHENTES EM HUMAITÁ, SUL DO AMAZONAS
DOI:
https://doi.org/10.66104/nf9qvy46Palavras-chave:
Amazônia; vulnerabilidade; justiça ambiental; território.Resumo
Este estudo analisa os impactos socioeconômicos e os efeitos subjetivos das enchentes no bairro Santo Antônio, em Humaitá (AM), região caracterizada por alta vulnerabilidade socioambiental devido à dinâmica fluvial do rio Madeira e à ocupação de áreas de várzea. A metodologia consistiu na aplicação de questionários estruturados a 50 moradores afetados por cheias entre 2024 e 2025. Os resultados revelaram que 72% dos participantes manifestaram desejo de migrar, enquanto 28% ficaram no território devido a vínculos afetivos, redes de solidariedade comunitária e inexistência de alternativas viáveis. A análise estatística revelou ausência de brilho significativo (ρ = −0,037; p = 0,798) entre o tempo de residência e a intenção de mudança, evidenciando que fatores subjetivos e estruturais possuem maior peso preditivo que a variável temporal. Além disso, comentamos que 86% dos participantes são autodeclarados pardos, o que reflete a intersecção entre raças, classes e exposição de vários riscos, configurando um quadro de injustiça ambiental na Amazônia Meridional. Conclui-se que a gestão de riscos na região exige políticas públicas que integrem a percepção subjetiva das situações e o enfrentamento das desigualdades históricas que moldam o território.
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