A ARQUITETURA DA IMPOSSIBILIDADE MORAL: SIMETRIA ÉTICA, DANAÇÃO ONTOLÓGICA E O COLAPSO DO JULGAMENTO EM SOCIEDADES DE ANTAGONISMO ESTRUTURAL
DOI:
https://doi.org/10.66104/4d5gqx24Palavras-chave:
Perspectivismo moral; Tragédia radical; Hipocrisia social estrutural; Danação ontológica; Dharma; Simetria ética; Crítica imanente; Agente-arrependimento; Perspectiva materna.Resumo
Este artigo investiga como estruturas sociais produzem e sustentam antagonismos morais insolúveis, transformando a agência moral em instrumento de danação. Através da articulação de dois experimentos de pensamento complementares — a simetria perfeita de dois soldados em conflito (perspectiva do observador) e o dilema absoluto do "Círculo Atemporal" (perspectiva do agente) —, o trabalho demonstra o colapso epistemológico e normativo das éticas tradicionais diante de situações de impossibilidade estrutural. O artigo adota o método da crítica imanente de Rahel Jaeggi como eixo central, com Heidegger (temporalidade e Cura), Taylor (avaliações fortes) e Butler (marcos de vulnerabilidade) como ferramentas subordinadas. O conceito de "danação ontológica" é definido através da destruição da estrutura de Cura heideggeriana e das avaliações fortes de Taylor, com a má consciência nietzschiana como mecanismo pelo qual a estrutura faz o agente interiorizar como culpa pessoal a crueldade que ela mesma produziu. O trabalho incorpora tensão produtiva com o dharma do Bhagavad Gita, analisa o julgamento de Nuremberg como teste de limite histórico e desenvolve a perspectiva materna com fundamento em Judith Butler. Conclui-se que a ruptura estratégica de cumplicidade — e não o niilismo moral — é a única resposta epistemicamente fundada diante de uma hipocrisia social estrutural que fabrica impossibilidades e culpabiliza os indivíduos por elas
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