PLATAFORMIZAÇÃO, VIGILÂNCIA E MODULAÇÃO DE COMPORTAMENTOS NAS PRÁTICAS SOCIOCULTURAIS CONTEMPORÂNEAS
DOI:
https://doi.org/10.66104/pm49yf68Palavras-chave:
Plataformização. Vigilância. Modulação de comportamentos. Algoritmos. Práticas socioculturais.Resumo
O presente artigo tem por objetivo analisar de forma inicial o fenômeno da plataformização enquanto estrutura central da organização sociocultural contemporânea, investigando seus desdobramentos nos mecanismos de vigilância e modulação de comportamentos. A partir de uma revisão bibliográfica crítica, amparada nos referenciais teóricos de Shoshana Zuboff, Byung-Chul Han, entre outros autores, o nosso trabalho explora como as plataformas digitais extrapolam a função de intermediação para se constituírem como modelos de negócio baseados na extração preditiva de dados. Argumenta-se no teor do nosso artigo que a vigilância, outrora vertical e estatal, transforma-se em vigilância de plataforma, difusa, automatizada e assentada no consentimento opaco. Essa estrutura opera uma modulação comportamental que reconfigura práticas socioculturais, desde a sociabilidade até a formação identitária e o consumo, instaurando uma nova razão social algorítmica. Conclui-se que tais processos demandam uma reflexão aprofundada sobre os limites éticos e políticos da mediação tecnológica, apontando para a necessidade de uma agência crítica e de marcos regulatórios que preservem a autonomia no setor público, sendo essa uma demanda emergencial para os governos.
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