TEMPOS DE PAZ: A FRÁGIL LEGITIMIDADE DO AUTORITARISMO POLÍTICO DO ESTADO NOVO
DOI:
https://doi.org/10.66104/0jm9vn39Palavras-chave:
Autoritarismo, Legitimidade, Desconstrução, ValoresResumo
Tempos de paz (2009), dirigido por Daniel Filho, é um filme brasileiro produzido a partir da peça teatral “Novas diretrizes em tempo de paz”, de Bosco Brasil. Trata da entrada de um imigrante polonês no Brasil que, no final da II Guerra Mundial, é confundido com um espião nazista e submetido ao interrogatório do dirigente da alfândega do porto do Rio de Janeiro. A obra, a partir do drama de homens comuns em um momento histórico conturbado, não da biografia de celebridades históricas, revela a fragilidade do autoritarismo do Estado Novo, fundado em uma perspectiva de mundo que não mais se sustentava diante do avanço dos ideais democráticos e do próprio resultado do conflito armado. Usando técnicas do método qualitativo, este artigo busca mostrar como a obra, a partir de uma perspectiva desconstrutiva ontológico-axiológica, teleológica e epistemológica, fulmina os valores, os propósitos e a cognição do modelo político autoritário do Estado Novo do presidente-ditador Getúlio Vargas, descortinando a sua fragilidade e a sua ilegitimidade. Os resultados apontam a frágil legitimidade do Estado autoritário e a artificialidade das relações internacionais então estabelecidas pelo Brasil.
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