COMPORTAMENTO EPIDEMIOLÓGICO DA TUBERCULOSE NO BRASIL: ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE POPULAÇÃO GERAL E POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA (2015–2024)
DOI:
https://doi.org/10.66104/af6n0w24Palavras-chave:
Incidence; Tuberculosis; Accessibility to Health Services.Resumo
A tuberculose permanece como importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente entre grupos socialmente vulneráveis. Este estudo objetivou analisar o comportamento epidemiológico da doença entre 2015 e 2024, comparando a população geral e a população em situação de rua (PSR). Trata-se de um estudo ecológico, observacional, transversal, descritivo e comparativo, com base em dados secundários do SINAN/DATASUS, IBGE e Cadastro Único. Foram avaliados o número absoluto de casos e as taxas de incidência por mil habitantes nas diferentes regiões do país.
No período analisado, registraram-se 860.596 casos de tuberculose na população geral e 39.840 na PSR. Observou-se aumento progressivo dos casos em ambas as populações, com discreta redução em 2020 e retomada do crescimento nos anos seguintes. A região Sudeste concentrou os maiores números absolutos de casos, enquanto a região Norte apresentou os maiores aumentos proporcionais. As taxas de incidência mostraram-se marcadamente superiores na PSR, alcançando valores extremamente elevados em estados como Amapá e Amazonas, contrastando com taxas inferiores a 1,1 por mil habitantes na população geral.
Os achados evidenciam profunda desigualdade epidemiológica, demonstrando que a população em situação de rua constitui grupo de altíssimo risco para adoecimento por tuberculose. Fatores como ausência de moradia fixa, insegurança alimentar, ambientes insalubres, uso de substâncias psicoativas e dificuldade de acesso aos serviços de saúde contribuem para maior transmissão, diagnóstico tardio e baixa adesão ao tratamento. Conclui-se que o enfrentamento da tuberculose exige políticas públicas intersetoriais que articulem saúde, assistência social e habitação, com fortalecimento de estratégias territoriais, como o Consultório na Rua, para redução das iniquidades e controle da doença.
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