IMPACTO DO TEMPO PORTA-AGULHA NA EFICÁCIA DA TROMBÓLISE COM ALTEPLASE NO ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO ISQUÊMICO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.66104/k45s1f02Palavras-chave:
Acidente Vascular Encefálico Isquêmico; Trombólise intravenosa; Tempo porta-agulha; Alteplase; Reperfusão cerebralResumo
Introdução: O Acidente Vascular Encefálico Isquêmico (AVEi) permanece entre as principais causas de morbimortalidade e incapacidade funcional no cenário mundial, sendo a trombólise intravenosa uma das principais estratégias terapêuticas para restauração precoce da perfusão cerebral. Nesse contexto, o tempo porta-agulha constitui importante indicador prognóstico, uma vez que atrasos terapêuticos estão associados à progressão da lesão isquêmica, pior evolução neurológica e maior incapacidade funcional residual. Objetivo: Analisar criticamente as evidências científicas contemporâneas acerca do impacto do tempo porta-agulha sobre os desfechos clínicos, neurológicos, funcionais e assistenciais relacionados à trombólise intravenosa no Acidente Vascular Encefálico Isquêmico. Metodologia: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, conduzida conforme as recomendações do PRISMA 2020. As buscas foram realizadas nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, Embase e SciELO, incluindo estudos publicados entre 2020 e 2025 nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram incluídos estudos observacionais, coortes prospectivas e retrospectivas, estudos multicêntricos e ensaios clínicos relacionados ao tempo porta-agulha e à trombólise intravenosa no AVEi. A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada por meio da Newcastle-Ottawa Scale (NOS). Resultados: Foram incluídos 14 estudos na síntese qualitativa final. As evidências demonstraram associação consistente entre menores tempos porta-agulha e melhores desfechos clínicos relacionados ao AVEi, incluindo redução da mortalidade hospitalar, melhora da recuperação neurológica, maior independência funcional e menor incapacidade residual. Além disso, protocolos assistenciais estruturados, integração multiprofissional, disponibilidade de neuroimagem avançada e implementação de tecnologias digitais mostraram impacto positivo sobre a eficiência terapêutica e a redução dos atrasos relacionados à reperfusão cerebral. Considerações finais: A redução do tempo porta-agulha permanece como um dos principais determinantes prognósticos relacionados ao manejo contemporâneo do AVEi. Estratégias voltadas à otimização dos fluxos assistenciais, fortalecimento das redes de atenção ao AVC e incorporação de tecnologias diagnósticas e terapêuticas mostram-se fundamentais para melhoria dos desfechos clínicos relacionados à trombólise intravenosa.
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