AVALIAÇÃO DO PERFIL NUTRICIONAL E DA INGESTÃO DE MACRO E MICRONUTRIENTES EM GESTANTES ATENDIDAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
DOI:
https://doi.org/10.66104/5gj4xp30Palavras-chave:
Gravidez, Ingestão de Alimentos, Estado Nutricional, Atenção Primária à SaúdeResumo
Introdução: A gestação exige maior aporte nutricional, consumo alimentar e ganho de peso adequado, por influenciarem a saúde materno-infantil. Avaliar essas variáveis permite identificar inadequações nutricionais e seus impactos no estado nutricional gestacional. Objetivo: Avaliar a relação entre perfil nutricional e ingestão de nutrientes de gestantes atendidas na Atenção Primária à Saúde. Métodos: Estudo transversal realizado em Unidades Básicas de Saúde de Senador Canedo-GO, entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024. O consumo alimentar foi avaliado por dois recordatórios de 24 horas, aplicados pelo Multiple Pass Method e analisados no software DietBox© versão 2024, além de questionário de frequência alimentar do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional. O ganho de peso por idade gestacional foi analisado segundo o Índice de Massa Corporal (IMC) pré-gestacional, conforme o Institute of Medicine (2009). Resultados: Foram avaliadas 70 gestantes, com média de idade de 25,84 (±4,64) anos, idade gestacional de 21,64 (±8,49) semanas e IMC pré-gestacional de 25,77 (±5,64) kg/m². A maior parte apresentou IMC insuficiente ou excessivo (54,29%). Gestantes com ganho de peso insuficiente eram mais jovens que aquelas com ganho excessivo (p<0,01). Houve associação entre ganho de peso gestacional e consumo de carboidratos, vitaminas C e A, cálcio e energia. Quanto ao IMC pré-gestacional, observaram-se associações com energia, proteínas, carboidratos, lipídios, gordura monoinsaturada, vitamina C, cálcio, zinco, sódio, ácido fólico e potássio. O uso de aparelhos eletrônicos durante as refeições foi elevado (71,4%). Predominou o consumo de alimentos in natura, exceto pelo alto consumo de bebidas adoçadas. Observou-se associação entre não consumo de frutas e ganho de peso (p=0,01). Conclusão: O consumo alimentar desbalanceado esteve associado ao ganho de peso e ao IMC pré-gestacional inadequado durante a gestação.
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