HISTÓRIA DO CONHECIMENTO E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA E SOCIOLÓGICA DAS ESTRUTURAS DE INFLUÊNCIA NA ERA ALGORÍTMICA
DOI:
https://doi.org/10.66104/7qztyx41Palavras-chave:
Inteligência Artificial , Ruptura de Paradigmas, História, sociologia, ConhecimentoResumo
Este artigo mobiliza os campos da História, da Sociologia e do Direito para demonstrar que a emergência da Inteligência Artificial não inaugura uma crise inédita, mas intensifica uma dinâmica que acompanha as sociedades humanas desde a invenção da escrita: a de que mudanças nos métodos de produção e validação do conhecimento implicam profundas reorganizações nas estruturas de poder e de influência. A partir de uma abordagem histórica, traça-se um panorama de grandes rupturas paradigmáticas no Ocidente: da oralidade à crítica racional; da tradição ao método científico; do argumento ao documento; da pretensão de neutralidade à crítica interdisciplinar e, por fim, da informação analógica à automatizada. O estudo evidencia como cada uma delas redistribuiu a autoridade epistêmica, redefinindo quem pode falar, quem pode legitimar e quem pode controlar. Sociologicamente, o artigo fundamenta-se nos conceitos de ruptura paradigmática (Thomas Kuhn), poder-saber (Michel Foucault), tipo ideal (Max Weber) e epistemicídio (Boaventura de Sousa Santos) para revelar um padrão histórico recorrente: o conhecimento nunca é neutro, e a imposição de um regime de verdade sobre outros é sempre um ato de poder que redistribui influência. Sob a perspectiva jurídica, analisa-se como o ordenamento brasileiro vem ensaiando respostas a esse desafio, com destaque para as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça e os projetos legislativos em tramitação. Conclui-se que a governança algorítmica, mais que um problema técnico, é a etapa mais recente de uma luta estruturante das sociedades humanas pela organização do saber, pela distribuição do poder e pelo controle das estruturas de influência.
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