A VIOLÊNCIA DA LINGUAGEM PROFÉTICA: POESIA, RUPTURA E DENÚNCIA NOS ORÁCULOS DE AMÓS
DOI:
https://doi.org/10.66104/nqmwra34Palavras-chave:
Amós; linguagem profética; atos de fala; violência simbólica; poesia hebraica; performatividadeResumo
Este artigo examina a linguagem profética de Amós a partir da hipótese de que determinados oráculos apresentam o julgamento como uma realidade já estabelecida pela própria enunciação. Com base na teoria dos atos de fala de J. L. Austin e John Searle e no conceito de violência simbólica desenvolvido por Pierre Bourdieu, o estudo analisa como os oráculos atuam sobre expectativas coletivas, reivindicações de autoridade e formas de compreender a realidade. O corpus compreende quatro textos — Am 3,8; Am 5,18-20; Am 7,10-17 e Am 9,1-4 — selecionados por apresentarem diferentes manifestações desse processo. A análise mostra que recursos característicos da poesia hebraica, como paralelismos, progressões imagéticas e inversões lexicais, participam diretamente da construção dos efeitos produzidos pelos oráculos. Ao articular contribuições da filosofia da linguagem, da sociologia e dos estudos de poética hebraica, o artigo oferece uma leitura dos textos de Amós atenta às relações entre forma poética, autoridade discursiva e julgamento profético.
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