DISCURSIVIDADES SOBRE O ENSINO DE LITERATURA DE CORDEL EM MATERIAIS PEDAGÓGICOS: A INTERPRETAÇÃO DISCURSIVA E O FETICHE DA ESTRUTURA
DOI:
https://doi.org/10.66104/wpk96220Palavras-chave:
Análise discursiva, Cordel, Interpretação, DiscursividadesResumo
Esse estudo trata do funcionamento das discursividades sobre o ensino de literatura de cordel em livros didáticos de língua portuguesa e em uma atividade de compreensão de texto veiculada na internet. O uso desse gênero literário tem se constituído como parte do discurso pedagógico na Educação Básica nos últimos anos no Brasil. Essa pesquisa envolve dois gestos de leitura: a) a interpretação discursiva dos livros didáticos sobre poemas de cordel; b) os próprios movimentos interpretativos desse estudo, os quais se constituem como leitura da interpretação das discursividades desses materiais pedagógicos. Esse trabalho de pesquisa teve como objetivo geral analisar, à luz de elementos da Análise do Discurso de linha francesa pecheutiana (AD), o funcionamento das discursividades sobre o ensino de/e com cordel em livros didáticos de língua portuguesa. A problemática desse estudo analisou os equívocos, silenciamentos, apagamentos, falta, excesso, estranhamento e as incompletudes nas discursividades sobre o cordel veiculadas em livros didáticos de língua portuguesa. O embasamento científico, portanto, foi o aporte teórico-metodológico da AD francesa pecheutiana. Quanto à metodologia, esta pesquisa foi de cunho qualitativo e o método de análise, o descritivo-interpretativo. Como resultados dessas análises e discussões, essa pesquisa indica que os livros didáticos, geralmente, consideram que a interpretação está na estrutura do cordel (o sentido está lá), em uma perspectiva formalista-logicista. Com isso, esses materiais não fazem o batimento descrição-interpretação porque direcionam o olhar somente para a descrição da materialidade linguística. Esses materiais pedagógicos, na interpretação do poema de cordel, à luz dos elementos da AD, não analisam os enunciados a partir da equivocidade e dos espaços discursivos não estabilizados.
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