ANÁLISE ECOLÓGICA DOS FILMES VIER MINUTEN E GIRL, INTERRUPTED: INSTITUCIONALIZAÇÃO, SOFRIMENTO PSÍQUICO E ESTIGMA
DOI:
https://doi.org/10.66104/ya3sj884Palavras-chave:
Análise Ecológica, Sofrimento Psíquico, Institucionalização Feminina, Estigma, Análise FílmicaResumo
Este estudo propõe uma análise ecológica das trajetórias de vida de mulheres marcadas por estigma e sofrimento psicológico em contextos institucionais, a partir dos filmes Vier Minuten (Alemanha) e Girl, Interrupted (Estados Unidos). O referencial teórico fundamenta-se no Modelo Bioecológico do Desenvolvimento Humano de Urie Bronfenbrenner, com ênfase nos elementos Processo-Pessoa-Contexto-Tempo (PPCT), articulado à análise fílmica sociológica proposta por Keppler e Peltzer. Metodologicamente, três cenas de cada filme foram decompostas em dimensões visuais e auditivas (como iluminação, trabalho de câmera e trilha sonora) para identificar como as narrativas refletem o controle social e as tensões nesses ambientes. Os resultados da análise das personagens Jenny von Loeben e Lisa Rowe indicam que, apesar das diferenças de tempo e contexto (o sistema prisional alemão e a clínica psiquiátrica americana), ambas enfrentam vulnerabilidades e marginalização semelhantes. Essas mulheres sofrem uma dupla condenação e invisibilidade: a patologização do seu sofrimento psicológico e o estigma institucional de gênero.Downloads
Referências
Referências
4 MINUTOS. Título original: Vier Minuten. Direção: Chris Kraus. Alemanha: Kordes & Kordes GmbH, 2006. 1 filme (112 min).
BLUMENROTH, S.; SCHNEIDER, N. Conhecimento de gênero no sistema penitenciário e na reabilitação social: uma análise da clientela da perspectiva de gênero. In: GEPHART, H.; KOSUCH, R. (orgs.). Conhecimento de gênero: benefícios do gênero para a prática do serviço social. [S. l.: s. n.], 2015. p. 39-47.
BRONFENBRENNER, Urie. The ecology of human development: experiments by nature and design. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1979. p. 21-42. DOI: https://doi.org/10.4159/9780674028845
BRONFENBRENNER, Urie; MORRIS, P. A. The bioecological model of human development. In: DAMON, W.; LERNER, R. M. (orgs.). Handbook of child psychology: theoretical models of human development. 6. ed. New York: John Wiley, 2006. v. 1, p. 993-1028.
CORNEL, H. Reinserção social através do trabalho social: um livro didático para estudo e prática. Stuttgart: Kohlhammer Verlag, 2020. p. 17-27.
COSTA, M. D. F. G. da; CAVALCANTE, L. I. C.; COSTA, E. F. O trabalho dos pais e o desenvolvimento dos filhos no contexto da pandemia de COVID-19: um olhar bioecológico. Research, Society and Development, v. 10, n. 10, p. e169101018730, 2021. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i10.18730
CULLEN, F.; JONSON, C. Programas de reabilitação e tratamento. In: WILSON, J.; PETERSILIA, J. (orgs.). Crime and public policy. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 2011. p. 293-344.
DICK, C. S. Ressocialização do preso: uma revisão bibliográfica. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 7, n. 1, p. 518-528, 2021. DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v7i1.1063
DOBAL, S. M.; SÁ, A. C. R. M. D. Luz, sombra, penumbra e a criação de sentidos em A erva do rato. Galáxia, São Paulo, n. 45, p. 93-109, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/1982-25532020346771
ERIKSSON, M.; GHAZIONOUR, M.; HAMMERSTRÖM, A. Diferentes usos da teoria ecológica de Bronfenbrenner na pesquisa em saúde mental pública. Social Theory & Health, v. 16, p. 414-433, 2018.
GAROTA INTERROMPIDA. Título original: Girl, Interrupted. Direção: James Mangold. Estados Unidos: Columbia Pictures, 1999. 1 filme (127 min).
GARRO, M. Muslim women inmates and religious practices: what are possible solutions? Healthcare, v. 13, n. 15, p. 1890, ago. 2025. DOI: https://doi.org/10.3390/healthcare13151890
GUTIÉRREZ, P. N. Discursos do cinema brasileiro: subjetivação política através de representações de conflitos sociais no cinema pós-retomada (2004-2019). Novos Rumos Sociológicos, Pelotas, v. 10, n. 17, p. 232-259, 2022. DOI: https://doi.org/10.15210/NORUS.V10I17.22542
HAYES, N.; O'TOOLE, L.; HALPENNY, A. M. O modelo bioecológico do desenvolvimento humano: apresentando Bronfenbrenner. 1. ed. London: Routledge, 2017. p. 13-27.
KEPPLER, A.; PELTZER, A. A análise sociológica do cinema – relevância, procedimento e objetivo. In: GEIMER, A.; HEINZE, C.; WINTER, R. (orgs.). Manual de sociologia cinematográfica. 1. ed. Wiesbaden: Springer, 2022. p. 349-366.
KEUTZER, O. et al. Análise cinematográfica. 1. ed. Wiesbaden: Springer, 2014. p. 122-138.
LOHAUS, A.; VIERHAUS, M. (eds.). Psicologia do desenvolvimento infantil e juvenil para bacharelado. 4. ed. Berlin: Springer, 2018. p. 42-48.
MAOSKI, A. C. Entre o melodrama e a loucura: telenovelas brasileiras e a representação do encarceramento feminino em hospitais psiquiátricos. 2020. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2020.
BECKER, A. et al. O cárcere e o abandono: prisão, penalização e relações de gênero. Revista Psicologia, Diversidade e Saúde, v. 5, n. 2, p. 141-154, 2016. DOI: https://doi.org/10.17267/2317-3394rpds.v5i2.1050
BITENCOURT, R.; AMORIM, D. G.; AMORIM, R. J. R. Perspectivas sobre a teoria bioecológica de Bronfenbrenner para estudos na era digital: um mapeamento da literatura. Revista RIOS - Revista Científica do Centro Universitário do Rio São Francisco, v. 19, n. 37, p. 45-58, 2024.
BROWN, Wendy. States of Injury: Power and Freedom in Late Modernity. Princeton: Princeton University Press, 1995. DOI: https://doi.org/10.1515/9780691201399
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: Feminismo e Subversão da identidade. 16. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.
FOUCAULT, Michel. História da loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 1978.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. 20. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.
FRANÇA, Jaciara Boldrini. A atribuição da loucura à mulher enquanto instrumento de controle social e dominação. Occursus Revista de Filosofia, v. 9, n. 1, p. 83-91, jan./jun. 2024. DOI: https://doi.org/10.52521/occursus.v9i1.13105
MARCHETTI, E. S. Mise-en-scène em Whiplash: uma análise da formação da identidade visual a partir dos elementos fílmicos. 2022. Trabalho de Conclusão de Curso (Publicidade e Propaganda) – Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2022.
MARTINS, E.; SZYMANSKI, H. A abordagem ecológica de Urie Bronfenbrenner em estudos com famílias. Estudos e pesquisas em Psicologia, v. 4, n. 1, p. 63-77, 2004.
MIRANDA, Nicole Sayuri Kinoshita de et al. Adoecimento feminino e violência de gênero: análise de casos no Hospital de Clínicas UFU. Revista Contribuciones a las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v. 18, n. 11, p. 1-23, 2025. DOI: https://doi.org/10.55905/revconv.18n.11-330
MOMBERG SILVA, Thaiga Danielle; GARCIA, Marcos Roberto Vieira. Mulheres e loucura: a (des) institucionalização e as (re) invenções do feminino na saúde mental. Interface (Botucatu), v. 22, n. 67, p. 743-754, 2018.
MOURA, B. H.; POPPERL, M. S. Belas, recatadas e loucas: mulheres no Manicômio Judiciário de São Paulo. Humanidades em diálogo, v. 9, p. 53-65, 2019. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1982-7547.hd.2019.154263
NASCIMENTO, L. A. D.; LEÃO, A. Estigma social e estigma internalizado: a voz das pessoas com transtorno mental e os enfrentamentos necessários. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 26, n. 1, p. 103-121, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/s0104-59702019000100007
PEREIRA, I. A.; PERUHYPE, Y. K. A mulher encarcerada no sistema prisional brasileiro. Revista Multidisciplinar Integrada - REMI, v. 2, n. 1, p. 89-102, 2026.
PRÜMM, Karl. Sobre a análise do trabalho de câmera. In: HAGENER, M.; PANTENBURG, V. (orgs.). Manual de análise cinematográfica. 1. ed. Wiesbaden: Springer, 2020. p. 7-26.
RIVERA, Mariana Fagundes de Almeida; SCARCELLI, Ianni Regia. Contribuições feministas e questões de gênero nas práticas de saúde da atenção básica do SUS. Saúde em Debate, v. 45, n. 118, p. 57-92, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-11042021e103
ROCHA BENTO, G. da. O espectador e os efeitos da experiência cinematográfica. Ciências & Cognição, Rio de Janeiro, v. 13, n. 2, p. 235-242, 2008.
SANTOS, V. G. A violência institucional e a violência de gênero: análise dos direitos humanos nas penitenciárias. Repositório Institucional do Unifip, v. 9, n. 1, p. 12-25, 2024.
SCOTT, Joan Wallach. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, jul./dez. 1995.
SILVA, S. C.; SOMER, D. G.; MARCONDES, P. C. A atuação da patrulha escolar comunitária no município de Ponta Grossa à luz da teoria bioecológica do desenvolvimento humano de Urie Bronfenbrenner. Revista Brasileira de Segurança Pública, v. 17, n. 2, p. 10-33, 2023. DOI: https://doi.org/10.31060/rbsp.2023.v17.n2.1535
SILVA, T. R. da. Fundamentos da análise fílmica: um breve panorama teórico metodológico. Revista Livre de Cinema, v. 11, n. 4, p. 17-31, 2024.
THE SENTENCING PROJECT. Incarcerated women and girls: fact sheet. Washington, DC: The Sentencing Project, 2025.
WEDDING, D.; NIEMIEC, R. M. (orgs.). Filmes e doença mental: usando filmes para compreender a psicopatologia. 4. ed. Boston: Hogrefe Publishing, 2014. p. 28-51.
FRANCE, C. de (org.). Do filme etnográfico à antropologia fílmica. Campinas: Editora da Unicamp, 2000.
LEMOS, F. C. S. et al. Tramas históricas a respeito da psiquiatrização, disciplina e medicalização em algumas lentes de Michel Foucault. Revista Interdisciplinar em Cultura e Sociedade, p. 261-275, 2021. DOI: https://doi.org/10.18764/2447-6498.v7n2p261-275
MIKOS, L. Aktuelle Methoden der Filmanalyse. In: GEIMER, A.; HEINZE, C.; WINTER, R. (orgs.). Handbuch Filmsoziologie. 1. ed. Wiesbaden: Springer, 2020. p. 367-378. DOI: https://doi.org/10.1007/978-3-658-10729-1_26
RAMOS, N. Perspectivas metodológicas em investigação: o contributo do método fílmico. Revista Portuguesa de Pedagogia, v. 37, n. 3, p. 35-62, 2003.
RAMOS, N. Diversidade cultural, education e comunicação intercultural: políticas e estratégias de promoção do diálogo intercultural. Revista Educação em Questão, v. 34, n. 20, 2009.
ROCHA BENTO, G. da. O espectador e os efeitos da experiência cinematográfica. Ciências & Cognição, v. 13, n. 2, p. 235-242, 2008.
SANTOS, M. C. dos; BÖING, E. Modelo bioecológico do desenvolvimento humano na intervenção psicossocial com adolescentes em conflito com a lei. Nova Perspectiva Sistêmica, v. 27, n. 61, p. 93-109, 2018. DOI: https://doi.org/10.38034/nps.v27i61.421
SERAFIM, José F.; RAMOS, N. Representação da doença no cinema documentário autobiográfico. In: VALENTE, A. C.; CAPUCHO, R. (orgs.). Avanca Cinema 2014. 1. ed. Avanca: Edições Cine-Clube de Avanca, 2014. p. 896-901.
SERAFIM, José F.; RAMOS, N. Cinema documentário e representação da migração. In: VALENTE, A. C.; CAPUCHO, R. (orgs.). Avanca Cinema. International Conference 2016. Avanca: Edições Cine-Clube de Avanca, 2016. p. 464-470.
SILVA, J. C.; BUCHER-MALUSCHKE, J. S. N. F. A análise fílmica no contexto do deslocamento forçado de uma comunidade: articulações entre a psicologia e a cultura. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 36, e36nspe8, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/0102.3772e36nspe8
SILVA, T. R. da. Fundamentos da análise fílmica: um breve panorama teórico metodológico. Revista Livre de Cinema, v. 11, n. 4, p. 17-31, 2024.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Jonas Carvalho e Silva, João Pedro do Vale da Silva, Murilo Rêgo Tapajós, Daniela Castro dos Reis, Milene Maria Xavier Veloso, Lília Iêda Chaves Cavalcante, Fabiana Faleiros Castro, Matthew Joseph Helm

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista;
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista, desde que adpatado ao template do repositório em questão;
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
- Os autores são responsáveis por inserir corretamente seus dados, incluindo nome, palavras-chave, resumos e demais informações, definindo assim a forma como desejam ser citados. Dessa forma, o corpo editorial da revista não se responsabiliza por eventuais erros ou inconsistências nesses registros.
POLÍTICA DE PRIVACIDADE
Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.
Obs: todo o conteúdo do trabalho é de responsabilidade do autor e orientador.
