REFLEXÕES SOBRE O AVANÇO DAS NORMAS JURÍDICAS BRASILEIRAS NO COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: DA LEI MARIA DA PENHA AO PACOTE ANTIFEMINICÍDIO
DOI:
https://doi.org/10.61164/a4cyhd23Keywords:
Mulher, Violencia, Lei Maria da Penha, pacote antifeminicídioAbstract
O presente artigo tem por objetivo analisar o desenvolvimento legislativo brasileiro no enfrentamento à violência contra a mulher, com ênfase na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e na mais recente Lei nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio. Parte-se da compreensão de que, embora tais marcos normativos representem avanços no reconhecimento e enfrentamento da violência de gênero, sua efetividade prática ainda é alvo de questionamentos, especialmente diante do risco de se tornarem leis penais meramente simbólicas. A pesquisa examina os dispositivos legais, dados estatísticos e análises doutrinárias que evidenciam a persistência da violência letal contra a mulher no Brasil, destacando a necessidade de políticas públicas integradas, mudanças culturais e atuação interinstitucional para que os direitos conquistados se traduzam em proteção efetiva. Conclui-se que o enfrentamento à violência de gênero exige uma abordagem multifatorial, que transcenda o aumento de penas e avance na construção de uma cultura de igualdade e respeito.
Downloads
References
ARAÚJO ALVES, Jaiza Sammara de. A (in)eficácia da legislação brasileira na prevenção da violência letal contra a mulher. Diálogos em Direito e Educação Matemática, v. 2, n. 2, 2020. DOI: https://doi.org/10.23925/ddem.v0i2.49285. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/DDEM/article/view/49285. Acesso em: 24 jun. 2025. DOI: https://doi.org/10.23925/ddem.v0i2.49285
ATHIAS, Gabriela. OEA condena Brasil por violência doméstica. Folha de S. Paulo, São Paulo, 6 maio 2001. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0605200109.htm. Acesso em: 24 jun. 2025.
BEZERRA, R. M. A.; LEITE, M. A. R. O Pacote Antifeminicídio: avanços legislativos e desafios de sua efetiva aplicabilidade no combate à violência de gênero no Brasil. Revista Rease, v. 11, n. 5, p. 4086–4102, maio 2025. DOI: 10.51891/rease. v11i5.19315. DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v11i5.19315
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 4 dez. 2024.
BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 31 dez. 1940. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm. Acesso em: 4 dez. 2024.
BRASIL. Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990. Dispõe sobre os crimes hediondos, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 jul. 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8072.htm. Acesso em: 24 jun. 2025.
BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm. Acesso em: 4 dez. 2024.
BRASIL. Lei nº 13.104, de 9 de março de 2015. Altera o Código Penal para incluir o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio e o inclui no rol dos crimes hediondos. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 10 mar. 2015. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13104.htm. Acesso em: 24 jun. 2025.
BRASIL. Lei nº 14.994, de 9 de outubro de 2024. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 2, 10 out. 2024. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14994.htm. Acesso em: 4 dez. 2024.
BREGA FILHO, V.; ALVES, F. de B. O direito das mulheres: uma abordagem crítica. Argumenta Journal Law, v. 10, n. 10, p. 131–142, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.35356/argumenta.v10i10.130. Acesso em: 4 dez. 2024.
CUNHA, Leandro R. da. Sexo e gênero no pacote antifeminicídio (Lei 14.994/24). Migalhas, São Paulo, 21 nov. 2024. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/coluna/direito-e-sexualidade/420105/sexo-e-genero-no-pacote-antifeminicidio-lei-14-994-24. Acesso em: 24 jun. 2025.
Fernanda Silva, T., Tenório Neto, J. A., Cavalcanti de Oliveira Júnior, R., Torres de Mesquita, R. A., & Alves do Nascimento, A. (2024). A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS DA MULHER NO BRASIL. Revista Eletrônica Direito E Conhecimento, 7(1). Recuperado de https://revistas.cesmac.edu.br/dec/article/view/1681
FONTOURA, Natália; REZENDE, Marcela; QUERINO, Ana Carolina. Beijing +20: avanços e desafios no Brasil contemporâneo. Brasília: Ipea, 2020. 546 p. ISBN: 978-65-5635-010-3. Disponível em: http://dx.doi.org/10.38116/lv978-65-5635-010-3. Acesso em: 21 de junho de 2025. DOI: https://doi.org/10.38116/lv978-65-5635-010-3
MORAES, Aparecida Fonseca; RIBEIRO, Letícia. As políticas de combate à violência contra a mulher no Brasil e a "responsabilização" dos "homens autores de violência". Sexualidad, Salud y Sociedad – Revista Latinoamericana, n. 11, p. 37-58, ago. 2012. Disponível em: http://www.sexualidadsaludysociedad.org. Acesso em: 4 dez. 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/S1984-64872012000500003
ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS – OEA. Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Relatório nº 54/01 – Caso 12.051: Maria da Penha Maia Fernandes vs. Brasil. Washington, DC: OEA, 4 abr. 2001. Disponível em: https://cidh.oas.org/annualrep/2000port/12051.htm. Acesso em: 24 jun. 2025.
NEVES, Marcelo. A Constitucionalização Simbólica. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
PENELUC, I. C. et al. Crime de estupro marital: configuração de violência sexual nas relações conjugais. Diálogos & Ciência, v. 2, n. 1, p. 268–285, 2022.
PGE-SP – PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO. Direitos Humanos: temas e textos de apoio. São Paulo: PGE, 2011. Disponível em: https://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/direitos%20humanos.pdf. Acesso em: 21 jun. 2025.
SENADO FEDERAL. Conexão Senado. Brasília, 2025. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/radio/1/conexao-senado/2025/09/03/mapa-nacional-da-violencia-de-genero-aponta-alta-nos-casos-de-feminicidio. Acesso em: 15. junho. 2025.
TAVARES, Viviane. Após seis anos da Lei Maria da Penha, o índice de violência contra mulher aumenta. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Rio de Janeiro, 10 out. 2012. Disponível em: https://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/apos-seis-anos-da-lei-maria-da-penha-o-indice-de-violencia-contra-mulher-aumenta. Acesso em: 5 dez. 2024. DOI: https://doi.org/10.56238/ERR01v10n5-059
TELES, Paula do Nascimento Barros González. Lei Maria da Penha – Uma História de Vanguarda. Série Aperfeiçoamento de Magistrados, n. 14. Curso: Capacitação em Gênero, Acesso à Justiça e Violência contra as Mulheres. Associação dos Magistrados Brasileiros, 2012.
THEMIS – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero. Lei Maria da Penha comentada: uma perspectiva jurídico-feminista. Porto Alegre: THEMIS, 2015. Disponível em: https://themis.org.br/wp-content/uploads/2015/04/LMP-comentada-perspectiva-juridico-feminista.pdf. Acesso em: 21 jun. 2025.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS – TJDFT. Quem é Maria da Penha. Disponível em: https://www.tjdft.jus.br/informacoes/cidadania/nucleo-judiciario-da-mulher/o-nucleo-judiciario-da-mulher/quem-e-maria-da-penha. Atualizado em fev. 2024. Acesso em: 21 jun. 2025
Varisco Lazzari, K. C., Pinhal de Carlos, P., & Accorssi, A. (2020). VIOLÊNCIA DE GÊNERO E DIREITO DAS MULHERES NO BRASIL. Interfaces Científicas - Humanas E Sociais, 8(3), 221–234. Disponível em: https://doi.org/10.17564/2316-3801.2020v8n3p221-234 DOI: https://doi.org/10.17564/2316-3801.2020v8n3p221-234
WAISSELFISZ, Julio Jacobo. Mapa da Violência 2015: homicídio de mulheres no Brasil. 1. ed. Brasília: FLACSO Brasil; OPAS; ONU Mulheres; Secretaria de Políticas para as Mulheres, 2015. Disponível em: www.mapadaviolencia.org.br. Acesso em: 21 de junho de 2025.
Downloads
Published
Issue
Section
License
Copyright (c) 2025 Thayline de Souza Barbosa, Livia Paula de Almeida Lamas

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Authors who publish in this journal agree to the following terms:
Authors retain copyright and grant the journal the right of first publication, with the work simultaneously licensed under the Creative Commons Attribution License, which permits the sharing of the work with proper acknowledgment of authorship and initial publication in this journal;
Authors are authorized to enter into separate, additional agreements for the non-exclusive distribution of the version of the work published in this journal (e.g., posting in an institutional repository or publishing it as a book chapter), provided that authorship and initial publication in this journal are properly acknowledged, and that the work is adapted to the template of the respective repository;
Authors are permitted and encouraged to post and distribute their work online (e.g., in institutional repositories or on their personal websites) at any point before or during the editorial process, as this may lead to productive exchanges and increase the impact and citation of the published work (see The Effect of Open Access);
Authors are responsible for correctly providing their personal information, including name, keywords, abstracts, and other relevant data, thereby defining how they wish to be cited. The journal’s editorial board is not responsible for any errors or inconsistencies in these records.
PRIVACY POLICY
The names and email addresses provided to this journal will be used exclusively for the purposes of this publication and will not be made available for any other purpose or to third parties.
Note: All content of the work is the sole responsibility of the author and the advisor.
