ENTRE O CUIDADO E A INVISIBILIZAÇÃO: UM OLHAR SOBRE AS PRÁTICAS PROFISSIONAIS NOS CAPS DIANTE DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
DOI:
https://doi.org/10.61164/knaqya43Palabras clave:
Violência Contra a Mulher, Caps, Acolhimento, gênero, Prática Profissional, violênciaResumen
A violência contra a mulher constitui-se como um fenômeno estrutural que atravessa as relações sociais e institucionais, produzindo impactos significativos na saúde mental feminina. No âmbito dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), observa-se que o sofrimento psíquico de mulheres em situação de violência é, frequentemente, descontextualizado de seus determinantes sociais, resultando em práticas de cuidado marcadas pela patologização e pela invisibilização da violência de gênero. Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo compreender as percepções e práticas adotadas por profissionais de saúde mental no atendimento a mulheres em situação de violência em CAPS II, bem como analisar as implicações dessas práticas na saúde mental das usuárias. Trata-se de uma revisão de literatura narrativa, de abordagem qualitativa e descritiva, realizada a partir de buscas não sistemáticas em bases de dados nacionais e internacionais, contemplando artigos publicados entre 2014 e 2024. Ao final do processo de seleção, foram incluídos 11 estudos que abordavam diretamente a interface entre saúde mental, violência contra a mulher e práticas profissionais nos serviços da Rede de Atenção Psicossocial. Os resultados evidenciam desafios recorrentes, como a subnotificação da violência, a ausência de protocolos institucionais, fragilidades na formação profissional e a reprodução de estereótipos de gênero, que contribuem para a culpabilização das mulheres e a secundarização da violência frente ao diagnóstico psiquiátrico. Por outro lado, identificaram-se experiências exitosas, como práticas grupais, Projetos Terapêuticos Singulares articulados ao enfrentamento da violência, visitas domiciliares e estratégias de matriciamento. Conclui-se que a incorporação da perspectiva de gênero e o fortalecimento da articulação intersetorial são fundamentais para a qualificação do cuidado em saúde mental e para a garantia dos direitos das mulheres nos CAPS II.
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