Camponeses como comunidades tradicionais e proteção socioambiental em contexto de mineração: análise constitucional, infraconstitucional e estudo de caso do Povoado Pau Ferro (Craíbas/AL)
DOI:
https://doi.org/10.66104/csd88w20Palabras clave:
comunidades tradicionais, campesinato, mineração, direitos culturais, territórioResumen
Este artigo discute a possibilidade de reconhecimento de comunidades camponesas como povos e comunidades tradicionais, tomando como referência o marco constitucional inaugurado em 1988 e a legislação infraconstitucional correlata, com destaque para a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT). Parte-se da premissa de que a Constituição Federal não estabelece rol fechado de sujeitos coletivos protegidos, ao passo que tutela direitos culturais e o patrimônio cultural material e imaterial (arts. 215 e 216), permitindo uma leitura aberta e inclusiva das formas de vida que participam do processo civilizatório nacional. Com base em pesquisa sociojurídica qualitativa, que combina análise normativa e estudo de caso, examina-se a situação do Povoado Pau Ferro, no município de Craíbas/AL, comunidade rural marcada por agricultura familiar, redes comunitárias e práticas religiosas que estruturam sua reprodução social. O artigo demonstra que os critérios centrais de tradicionalidade (territorialidade, saberes transmitidos pela tradição e formas próprias de organização social) estão presentes no modo de vida camponês e são diretamente tensionados pela implantação do Projeto Serrote da Laje (Mineradora Vale Verde – doravante MVV), produzindo danos materiais, sanitários, psicossociais e culturais, inclusive com relatos de desejo de remoção coletiva. Conclui-se que o enquadramento do campesinato como comunidade tradicional é juridicamente defensável e relevante para qualificar o debate sobre licenciamento, participação pública e reparação integral em contextos de conflitos socioambientais.
Descargas
Referencias
ALAGOAS. Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas. Processo nº 0717726-61.2025.8.02.0058.
ALVES, Elza Barboza de Jesus; PAPALI, Maria Aparecida; SILVA, Fabiana Felix do Amaral e. Expectativas, desencanto e temor nos relatos de moradores impactados pela implantação de uma mineradora de cobre em Craíbas-ALagoas. Revista GeoNordeste, São Cristóvão, ano XXXVI, n. 2, p. 62-82, jul./dez. 2025. DOI: 10.33360/geonordeste.v36i.19558. DOI: https://doi.org/10.33360/geonordeste.v36i.19558
ARRUDA, Rinaldo. Populações tradicionais e a proteção dos recursos naturais em unidades de conservação. Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. 5, p. 79-92, 1999. DOI: https://doi.org/10.1590/S1414-753X1999000200007
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.
BRASIL. Decreto nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007. Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 8 fev. 2007.
BRASIL. Decreto nº 8.750, de 9 de maio de 2016. Institui o Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 10 maio 2016.
BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 2 set. 1981.
BRASIL. Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985. Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente e outros interesses difusos e coletivos. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 25 jul. 1985.
BRASIL. Lei nº 13.123, de 20 de maio de 2015. Dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, proteção e acesso ao conhecimento tradicional associado e repartição de benefícios. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 21 maio 2015.
CÂMARA MUNICIPAL DE CRAÍBAS (AL). Audiência pública sobre impactos socioambientais da mineração (registros de fala). Craíbas, 22 out. 2025.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA). Resolução nº 001, de 23 de janeiro de 1986. Dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 17 fev. 1986.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA). Resolução nº 009, de 3 de dezembro de 1987. Dispõe sobre a realização de audiências públicas no processo de licenciamento ambiental. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 5 jul. 1990.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA). Resolução nº 237, de 19 de dezembro de 1997. Dispõe sobre a revisão e complementação dos procedimentos e critérios utilizados para o licenciamento ambiental. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 22 dez. 1997.
DE MORAES, Alexandre Gustavo Melo Franco et al. O direito à participação dos povos originários e o STF. Suprema – Revista de Estudos Constitucionais, v. 2, n. 1, p. 119-155, 2022. DOI: https://doi.org/10.53798/suprema.2022.v2.n1.a149
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Atlas do espaço rural brasileiro: agricultura familiar. Rio de Janeiro: IBGE, 2020. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/apps/atlasrural/pdfs/11_00_Texto.pdf. Acesso em: 26 fev. 2026.
MARQUES, Leônidas de Santana. As comunidades de fundo de pasto: um intento de construção conceitual. Revista Pegada, v. 17, n. 2, p. 107-121, dez. 2016. DOI: https://doi.org/10.33026/peg.v17i2.4706
MUNICÍPIO DE CRAÍBAS (AL). Secretaria Municipal de Assistência Social. Diagnóstico socioeconômico das comunidades localizadas no entorno do empreendimento minerário. Craíbas, 2025.
ÓSOCIOBIO – Observatório das Economias da Sociobiodiversidade. Nota Técnica nº 6/2025: Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais Reconhecidos Adequadamente na Regulamentação da Lei da Agricultura Familiar. Maio 2025.
OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. Modo de produção capitalista, agricultura e reforma agrária. São Paulo: Labur Edições, 2007.
SANTOS, José Vicente Tavares dos. A reprodução subordinada do campesinato. Ensaios FEE, Porto Alegre, v. 2, n. 2, p. 109-117, 1981.
VALÕES, José Inaldo; SILVA, Emanuelle Marques da; SANTOS, Catarina Luiza Ferreira dos; SANTOS, João Paulo Oliveira dos. Comunidades camponesas como comunidades tradicionais: fundamentos sociojurídicos no contexto do Nordeste brasileiro. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar, v. 7, n. 2, e727257, fev. 2026. DOI: 10.47820/recima21.v7i2.7257. DOI: https://doi.org/10.47820/recima21.v7i2.7257
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Emanuel Ferreira da Silva, José Inaldo Valões

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Authors who publish in this journal agree to the following terms:
Authors retain copyright and grant the journal the right of first publication, with the work simultaneously licensed under the Creative Commons Attribution License, which permits the sharing of the work with proper acknowledgment of authorship and initial publication in this journal;
Authors are authorized to enter into separate, additional agreements for the non-exclusive distribution of the version of the work published in this journal (e.g., posting in an institutional repository or publishing it as a book chapter), provided that authorship and initial publication in this journal are properly acknowledged, and that the work is adapted to the template of the respective repository;
Authors are permitted and encouraged to post and distribute their work online (e.g., in institutional repositories or on their personal websites) at any point before or during the editorial process, as this may lead to productive exchanges and increase the impact and citation of the published work (see The Effect of Open Access);
Authors are responsible for correctly providing their personal information, including name, keywords, abstracts, and other relevant data, thereby defining how they wish to be cited. The journal’s editorial board is not responsible for any errors or inconsistencies in these records.
PRIVACY POLICY
The names and email addresses provided to this journal will be used exclusively for the purposes of this publication and will not be made available for any other purpose or to third parties.
Note: All content of the work is the sole responsibility of the author and the advisor.
