NEUROCIÊNCIA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA: UMA ANÁLISE CRÍTICA DAS CONTRIBUIÇÕES NEUROPSICOPEDAGÓGICAS PARA A ESCOLARIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
DOI:
https://doi.org/10.61164/m0c8pr05Palavras-chave:
Educação Inclusiva; Neurociência; Neuropsicopedagogia; Transtorno do Espectro Autista; Escolarização.Resumo
Este estudo tem como objetivo analisar criticamente as contribuições da neurociência para a educação inclusiva de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com ênfase nas abordagens neuropsicopedagógicas que fundamentam práticas educacionais contemporâneas. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, desenvolvido por meio de revisão teórica crítica da literatura nacional e internacional, com recorte em produções científicas que articulam neurociência, processos de aprendizagem e inclusão escolar. A análise evidencia que os aportes neurocientíficos têm contribuído para a compreensão dos mecanismos cognitivos, emocionais e comportamentais envolvidos no TEA, subsidiando estratégias pedagógicas mais sensíveis às singularidades do desenvolvimento neuroatípico. Contudo, identifica-se que parte das apropriações educacionais da neurociência ocorre de forma instrumental e pouco problematizada, o que limita seu potencial formativo e inclusivo. Como resultado, o estudo propõe a necessidade de uma integração crítica entre neurociência e educação, evitando reducionismos biologizantes e fortalecendo práticas pedagógicas fundamentadas em princípios éticos, inclusivos e contextualizados. Conclui-se que a neuropsicopedagogia, quando sustentada por bases teóricas consistentes e por uma leitura crítica da neurociência, pode contribuir significativamente para a escolarização de crianças com TEA, ampliando possibilidades de aprendizagem, participação e desenvolvimento no contexto da Educação Inclusiva.
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