COLONIALISMO ENERGÉTICO DIGITAL
DOI:
https://doi.org/10.61164/ty3wdr34Palavras-chave:
Colonialismo energético digital; Colonialismo verde; Transição energética; Neoextrativismo; Justiça climática.Resumo
O presente artigo analisa o fenômeno do colonialismo energético digital como expressão contemporânea da colonialidade do poder no contexto da transição energética global. Sustenta-se que, sob o discurso da sustentabilidade, da inovação tecnológica e da descarbonização, reproduzem-se dinâmicas históricas de exploração, expropriação territorial e subordinação econômica, agora mediadas por infraestruturas digitais, plataformas tecnológicas e regimes de governança algorítmica. A pesquisa articula os aportes da teoria decolonial, da crítica ao colonialismo energético e ao colonialismo verde, evidenciando como o Sul Global permanece destinado ao papel de fornecedor de recursos naturais estratégicos, territórios de sacrifício e bases materiais para a expansão de tecnologias “verdes” e digitais, enquanto os benefícios econômicos, informacionais e decisórios se concentram no Norte Global e em elites transnacionais. Argumenta-se que a digitalização da transição energética intensifica o neoextrativismo, ao incorporar a extração de dados, o controle tecnológico e a financeirização da natureza como novos vetores de dominação. Conclui-se que o colonialismo energético digital aprofunda desigualdades socioambientais, compromete a autodeterminação de povos e comunidades tradicionais e desafia os paradigmas hegemônicos de justiça climática, exigindo a construção de alternativas energéticas e tecnológicas baseadas na justiça socioambiental, na soberania dos territórios e na pluralidade epistemológica.
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