IMPACTO DA EXPOSIÇÃO A REDES SOCIAIS NA RELAÇÃO MÉDICO PACIENTE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: ESTUDO TRANSVERSAL EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE
DOI:
https://doi.org/10.61164/ytcrxx04Palavras-chave:
Mídias sociais, comunicação em saúde, relação médico-paciente, atenção primária à saúde, medicina de família e comunidadeResumo
A crescente exposição a conteúdos de saúde nas redes sociais tem modificado a forma como os pacientes se relacionam com profissionais de saúde, impondo novos desafios à prática clínica na Atenção Primária à Saúde (APS). Este estudo teve como objetivo analisar a influência da exposição a conteúdos de saúde em redes sociais sobre a relação médico-paciente em três grupos populacionais atendidos em uma Unidade Básica de Saúde de Gurupi/TO: jovens adultos, idosos e mães de crianças menores de seis anos. Trata-se de um estudo observacional transversal, de abordagem quantitativa descritiva, realizado com 63 usuários da Equipe 001 da UBS Vila Íris, no período de maio a novembro de 2025. Os participantes foram distribuídos em três grupos: mães de crianças menores de seis anos (38,1%), idosos com 60 anos ou mais (31,7%) e jovens adultos entre 18 e 39 anos (30,2%). A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado, e as análises foram realizadas utilizando os testes do qui-quadrado de Pearson e exato de Fisher. A exposição semanal a conteúdos de saúde diferiu significativamente entre os grupos (p < 0,001), sendo mais frequente entre jovens adultos (89,5%) e mães (83,3%) quando comparados aos idosos (35,0%). Instagram e TikTok foram significativamente mais utilizados pelos jovens adultos (p = 0,002), enquanto o WhatsApp foi a plataforma mais prevalente em todos os grupos. Observou-se elevada exposição a conteúdos antivacina (50,8%). O questionamento de orientações médicas foi mais frequente entre jovens adultos (68,4%) em comparação às mães (8,3%) e aos idosos (30,0%) (p < 0,001). Entre as mães que não seguiram orientações médicas, 88% relataram não ter questionado previamente durante a consulta, sugerindo padrão de ocultação defensiva. A confiança institucional na UBS não diferiu significativamente entre os grupos (p = 0,055) e não apresentou correlação com o nível de exposição digital (ρ = −0,15; p = 0,24). Conclui-se que, apesar das diferenças geracionais na exposição digital e no uso das plataformas, a confiança institucional na APS permanece preservada, indicando que o vínculo longitudinal característico da Medicina de Família e Comunidade atua como fator protetor frente ao ambiente informacional digital.
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