A SOJA COMO PROJETO TERRITORIAL: EVIDÊNCIAS PRODUTIVAS E EXPRESSÃO ESPACIAL DA HOMOGENEIZAÇÃO AGRÁRIA EM IMBITUVA (PR), 1995-2024
DOI:
https://doi.org/10.61164/dyg5mk41Palavras-chave:
Reestruturação produtiva, Sojalização , Uso do território, Paisagem agráriaResumo
Este artigo analisa a sojalização da agricultura em Imbituva (Paraná) entre 1995 e 2024, articulando evidências produtivas (séries do IBGE e do IPARDES) e evidências espaciais (MapBiomas - Coleção 10). Metodologicamente, integra-se: (i) a leitura temporal da hierarquia produtiva municipal; (ii) o cálculo de produtividade (t/ha) por cruzamento entre produção (t) e área (ha); e (iii) a análise das transições de uso e cobertura da terra e da cartografia comparativa (1995/2024), interpretada como expressão espacial da reestruturação do território usado. Os resultados indicam que a produção de soja cresceu 436,5% no período, sustentada sobretudo por ganhos tecnológicos (produtividade de ~1,3 para ~4,2 t/ha; +220,6%), enquanto a área cultivada aumentou 66,9%. Territorialmente, a expansão ocorreu predominantemente por reconversão produtiva interna: a classe “Outras Lavouras Temporárias” encolheu 93,0%, evidenciando substituição no interior do espaço agrícola. A cartografia comparativa sugere a constituição de uma matriz agrária mais contínua e dominante, com tendência à homogeneização funcional, na qual remanescentes florestais e a malha urbana em expansão assumem maior isolamento relativo. Discute-se que o avanço da soja se vincula à integração do município a circuitos longos e a lógicas de comando exógenas, produzindo hierarquias e vulnerabilidades socioambientais em diálogo com a literatura crítica sobre modernização agrícola, cooptação territorial e uso do território (Cunha, 1986; 2018; Santos, 2000; Santos; Silveira, 2001; Castillo; Frederico, 2010; Delgado, 2012; Oliveira, 2016).
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