SAÚDE BUCAL EM PACIENTES INTERNADOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: PARTICULARIDADES, ATUAÇÃO ODONTOLÓGICA E PREVENÇÃO DA PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA
DOI:
https://doi.org/10.66104/trjkhj07Palavras-chave:
Saúde bucal, UTI, Biofilme, Pneumonia associada à ventilação mecânica, Higiene oralResumo
A saúde bucal de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) apresenta desafios específicos, culminando no aumento do risco de infecções nosocomiais. A cavidade oral, comprometida por fatores como sedação profunda e ventilação mecânica, rapidamente se transforma em um reservatório de patógenos, favorecendo a aspiração de secreções e a subsequente Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM). Este artigo de revisão aprofunda-se: (1) nas particularidades fisiopatológicas da saúde bucal do paciente crítico e nos mecanismos de colonização orofaríngea; (2) no papel insubstituível do cirurgião-dentista na equipe de UTI, detalhando suas intervenções preventivas; (3) nos mecanismos de resistência antimicrobiana facilitados pelo biofilme oral; e (4) nas evidências mais atuais sobre a eficácia de protocolos de higiene oral combinando remoção mecânica e agentes antissépticos na redução da PAVM. Conclui-se que a institucionalização de protocolos rigorosos de higiene oral que incluem a escovação dentária, supervisionada ou realizada por um dentista hospitalar, e o uso criterioso de antissépticos (principalmente clorexidina 0,12%) são medidas custo-eficazes que diminuem drasticamente a incidência de PAVM. É crucial, contudo, que mais estudos foquem no impacto dessas intervenções em desfechos como mortalidade, tempo de internação e emergência de resistência bacteriana.
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