A ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA COMO INSTRUMENTO DE PROMOÇÃO DA EQUIDADE EM CONTEXTOS DE VULNERABILIDADE SOCIAL

Autores

  • Ayara Almeida Souza Cabral Universidade Federal do Pará, Brasil
  • Weslley Bruno do Espirito Santo Manço Centro Universitário Inta,Brasil
  • Nataline de Oliveira Rocha Universidade Federal do Piauí, Brasil
  • Suênia Évelyn Simplício Teixeira Universidade Federal do Ceará,Brasil
  • Sintia Nascimento dos Reis Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil
  • Júlia Beatriz Faustino Moura Centro Universitário Inta, Brasil
  • Leila Cristina Severiano Agape Centro Universitário Inta,Brasil
  • Victoria Mendes de Oliveira Centro Universitário Inta, Brasil
  • Noélia de Holanda Paiva Centro Universitário Inta, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.66104/775zsw53

Palavras-chave:

Estratégia Saúde da Família; Atenção Primária à Saúde; Equidade em Saúde; Vulnerabilidade Social; Sistema Único de Saúde

Resumo

A Estratégia Saúde da Família (ESF) constitui o principal modelo organizador da Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil e desempenha papel central na consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). Este estudo teve como objetivo analisar a ESF como instrumento de promoção da equidade em contextos de vulnerabilidade social. Trata-se de uma revisão de literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico, realizada nas bases SciELO, BVS, LILACS e Portal CAPES, contemplando publicações nacionais entre 2008 e 2025. Foram incluídos artigos que abordassem a relação entre ESF, desigualdades em saúde e vulnerabilidade social. Os resultados evidenciam que a expansão da cobertura da ESF ocorreu de forma territorializada e com maior concentração entre populações de menor renda, menor escolaridade e sem plano de saúde, indicando caráter redistributivo. Estudos demonstram associação entre maior cobertura e redução de internações por condições sensíveis à atenção primária, diminuição da mortalidade infantil e melhoria na qualidade do pré-natal, com impactos mais expressivos em municípios socialmente vulneráveis. Tais achados indicam que a ESF contribui não apenas para ampliar o acesso, mas para reduzir desigualdades nos resultados em saúde. Entretanto, a sustentabilidade da equidade depende da consolidação dos atributos da APS, como longitudinalidade, coordenação do cuidado e vínculo territorial, além de financiamento adequado e estabilidade normativa. Conclui-se que a ESF representa instrumento estratégico para a promoção da justiça social em saúde, embora sua efetividade esteja condicionada ao fortalecimento institucional e ao compromisso contínuo com os princípios do SUS.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

ALELUIA, Italo Ricardo Santos et al. Coordenação do cuidado na atenção primária à saúde: estudo avaliativo em município sede de macrorregião do nordeste brasileiro. Ciência & Saúde Coletiva, v. 22, p. 1845-1856, 2017. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232017226.02042017

ANDRADE, Mônica Viegas et al. A equidade na cobertura da Estratégia Saúde da Família em Minas Gerais, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 31, p. 1175-1187, 2015. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311X00130414

AQUINO, Rosana; VILASBÔAS, Ana Luiza Queiroz. Impactos da Estratégia Saúde da Família no estado de saúde da população brasileira: uma revisão de literatura. Ciência & Saúde Coletiva, v. 30, p. e13942025, 2026.

ARANTES, Luciano José; SHIMIZU, Helena Eri; MERCHÁN-HAMANN, Edgar. Contribuições e desafios da Estratégia Saúde da Família na Atenção Primária à Saúde no Brasil: revisão da literatura. Ciência & Saúde Coletiva, v. 21, p. 1499-1510, 2016. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232015215.19602015

BARROS, Marilisa Berti de Azevedo. Desigualdade social em saúde: revisitando momentos e tendências nos 50 anos de publicação da RSP. Revista de Saúde Pública, v. 51, p. 17, 2017. DOI: https://doi.org/10.1590/s1518-8787.2017051000156

DE OLIVEIRA, Eudijessica Melo et al. A estratégia de saúde da família e suas contribuições para a eficácia dos serviços na atenção primária à saúde. Saúde Coletiva (Barueri), v. 13, n. 88, p. 13165-13176, 2023. DOI: https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2023v13i88p13165-13176

EUGENIO, Samira Janis; VENTURA, Carla Aparecida Arena. Estratégia saúde da família: iniciativa pública destinada a populações vulneráveis para garantia do direto à saúde-uma revisão crítica da literatura. Cadernos Ibero-Americanos de Direito Sanitário, v. 6, n. 3, p. 129-143, 2017. DOI: https://doi.org/10.17566/ciads.v6i3.402

FACCHINI, Luiz Augusto; TOMASI, Elaine; DILÉLIO, Alitéia Santiago. Qualidade da Atenção Primária à Saúde no Brasil: avanços, desafios e perspectivas. Saúde em debate, v. 42, p. 208-223, 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-11042018s114

GIOVANELLA, Ligia et al. Cobertura da Estratégia Saúde da Família no Brasil: o que nos mostram as Pesquisas Nacionais de Saúde 2013 e 2019. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, p. 2543-2556, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232021266.1.43952020

HONE, Thomas et al. Effect of economic recession and impact of health and social protection expenditures on adult mortality: a longitudinal analysis of 5565 Brazilian municipalities. The Lancet Global Health, v. 7, n. 11, p. e1575-e1583, 2019. DOI: https://doi.org/10.1016/S2214-109X(19)30409-7

MACINKO, James; MENDONÇA, Claunara Schilling. Estratégia Saúde da Família, um forte modelo de Atenção Primária à Saúde que traz resultados. Saúde em Debate, v. 42, p. 18-37, 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-11042018s102

MALTA, Deborah Carvalho et al. A cobertura da Estratégia de Saúde da Família (ESF) no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, 2013. Ciência & Saúde Coletiva, v. 21, p. 327-338, 2016. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232015212.23602015

MELO, Eduardo Alves et al. Mudanças na Política Nacional de Atenção Básica: entre retrocessos e desafios. Saúde em debate, v. 42, p. 38-51, 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-11042018s103

Ministério da Saúde (Brasil). Estratégia Saúde da Família (ESF). Informações institucionais sobre princípios, objetivos e atuação da estratégia no SUS.

NEVES, Rosália Garcia et al. Tendência temporal da cobertura da Estratégia Saúde da Família no Brasil, regiões e Unidades da Federação, 2006-2016. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 27, p. e2017170, 2018. DOI: https://doi.org/10.5123/S1679-49742018000300008

PEREIRA, Silvana Maria et al. EQUIDADE DO ACESSO À ATENÇÃO À SAÚDE DE FAMÍLIAS VULNERÁVEIS CADASTRADAS EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA. Revista de Atencao Primaria a Saude, v. 18, n. 3, 2015.

PINTO, Luiz Felipe; GIOVANELLA, Ligia. Do Programa à Estratégia Saúde da Família: expansão do acesso e redução das internações por condições sensíveis à atenção básica (ICSAB). Ciência & Saúde Coletiva, v. 23, p. 1903-1914, 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232018236.05592018

RASELLA, Davide et al. Impact of primary health care on mortality from heart and cerebrovascular diseases in Brazil: a nationwide analysis of longitudinal data. Bmj, v. 349, 2014. DOI: https://doi.org/10.1136/bmj.g4014

SILVA, Cristiane de Mesquita. Equidade e promoção da saúde na estratégia Saúde da Família: desafios a serem enfrentados. Rev. APS, 2008.

TOMASI, Elaine et al. Qualidade da atenção pré-natal na rede básica de saúde do Brasil: indicadores e desigualdades sociais. Cadernos de saúde pública, v. 33, p. e00195815, 2017. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311x00195815

WENDT, Andrea et al. Desigualdades socioeconômicas no acesso aos serviços de saúde: um estudo de base populacional no sul do Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, p. 793-802, 2022.

Downloads

Publicado

2026-02-19

Como Citar

A ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA COMO INSTRUMENTO DE PROMOÇÃO DA EQUIDADE EM CONTEXTOS DE VULNERABILIDADE SOCIAL. (2026). REMUNOM, 2(02), 1-19. https://doi.org/10.66104/775zsw53