ESTIMULAÇÃO VAGAL AURICULAR TRANSCUTÂNEA VIA PRÁTICA PSICOMOTORA AQUÁTICA: EFEITOS NA AUTORREGULAÇÃO DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO ESPECTRO AUTISTA
DOI:
https://doi.org/10.66104/8jer1j32Palavras-chave:
Autism Spectrum Disorder; Vagus Nerve; Aquatic Psychomotor Therapy; Polyvagal Theory; Self-regulation.Resumo
Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se por desafios na autorregulação emocional, no tônus corporal e nas interações sociais. A estimulação transcutânea do nervo vago auricular tem sido investigada como estratégia não invasiva de neuromodulação, com possíveis implicações na regulação autonômica. Objetivo: Investigar, de forma observacional, as respostas comportamentais associadas à estimulação vagal auricular mediada pelo contato da água em sessões de Psicomotricidade Aquática. Métodos: Estudo observacional, com duração de 15 meses, realizado com 24 crianças com TEA (18 meninos e 6 meninas). As observações ocorreram durante atendimentos individuais de Psicomotricidade Aquática, utilizando-se a técnica denominada Waters of Feelings, que favorece o contato da região auricular com o meio aquático. Os dados foram registrados em diários de campo e analisados de forma descritiva. Resultados: As observações indicaram ocorrência frequente de relaxamento corporal, reorganização tônica e redução de comportamentos de desorganização, além de aumento da disponibilidade relacional, do contato visual e do engajamento nas interações. Também foram registrados episódios pontuais de emissão vocal, movimentos espontâneos e maior organização psicomotora durante o contato auricular com a água. Conclusão: Embora não permita estabelecer relações causais, o estudo sugere que a estimulação auricular associada à prática psicomotora aquática pode favorecer processos de autorregulação tônica, emocional e relacional em crianças com TEA, configurando-se como uma abordagem complementar não farmacológica passível de investigação futura.
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