ENSINO DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO POPULAR: UMA PESQUISA-INTERVENÇÃO SOBRE A ARGUMENTAÇÃO CRÍTICA NO PROJETO EMANCIPA (NATAL/RN)
DOI:
https://doi.org/10.66104/pwp98b13Palavras-chave:
Docência, Aluno, Inclusão, Ensino médio, EmancipaResumo
A educação popular concebe o ato educativo como político, integrando a politicidade ao cotidiano escolar. Este estudo, caracterizado como uma pesquisa-intervenção de abordagem qualitativa, objetiva investigar de que modo a articulação entre a pedagogia freireana e o ensino de ciências da natureza impacta a qualidade da argumentação científica e a consciência sociopolítica de estudantes de um cursinho popular na periferia de Natal/RN. A experiência abrangeu quatro turmas de aproximadamente 30 alunos cada (totalizando cerca de 120 sujeitos) durante o ano de 2024, com intervenções docentes estruturadas em regime de alternância quinzenal entre os grupos. A metodologia consistiu em ciclos semanais de 7 horas: fundamentação teórica, círculos de discussão sobre temas geradores, produção textual semanal e vivência comunitária. Os dados foram coletados via observação participante, diários de campo e análise do corpus de produções textuais. Os resultados evidenciam que a integração entre conteúdos científicos e problemáticas territoriais favoreceu o desenvolvimento da argumentação crítica, permitindo que os discentes transitassem de discursos morais genéricos para fundamentações baseadas em evidências científicas e sociais. Conclui-se que o projeto impacta as perspectivas de projeto de vida e a consciência sociopolítica dos sujeitos, embora enfrente tensões estruturais inerentes à lógica performativa do ENEM.
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